Funcionários da TCGL ameaçam parar
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Funcionários da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) ameaçam paralisar as atividades em protesto pela retirada dos cobradores de oito linhas alimentares que circulam na zona norte, o que faz com que os motoristas tenham que cuidar da cobrança das passagens. Numa assembléia realizada na semana passada, 150 trabalhadores já aprovaram o indicativo da paralisação. A decisão poderá ser ratificada até o final desta semana numa votação secreta nos terminais de bairro e central. ''Não definimos como seria o movimento, mas provavelmente seria coisa de um dia'', diz João Batista da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol).
Hoje, às 15 horas, representantes do sindicato, da TCGL e da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) se reunirão na Delegacia Regional do Trabalho (DRT), sob mediação do sub-delegado regional Fernando Roque, para discutir o asssunto. João Batista explica que, caso não haja acordo favorável aos empregados no encontro, o Sinttrol deve propor a votação. A gerência da TCGL acredita que a questão seja resolvida hoje, sem necessidade de greve.
A retirada de cobradores das oito linhas é criticada porque teria sido feita de forma abrupta e porque configuraria ''dupla função'' para os motoristas, sem estar incluída como cláusula contratual e em desobediência ao acordo coletivo de trabalho. ''A planilha de custos das empresas de transporte coletivo é feita a partir de diversos fatores, entre eles o número de postos de trabalho. Se não existem mais cobradores para estas linhas em certos horários, isso significa redução de postos. Se os postos diminuem, por que, por exemplo, não diminui a tarifa?'', questiona Batista.
A TCGL informa que a circulação de ônibus sem cobradores era uma experiência que teria prazo inicial de duas semanas, terminando no próximo domingo. O gerente da empresa, Gildalmo de Mendonça, explica que a TCGL está realizando uma avaliação dos resultados para apurar se o sistema permanecerá. ''Em primeiro lugar, não despediremos cobradores. Em segundo, não está havendo prejuízo para o cliente. Nenhum motorista foi obrigado a trabalhar nas linhas sem cobrador, nós procuramos realocar quem sentiu que não se adaptaria'', diz Mendonça.
O gerente argumenta que pelo menos três das oito linhas poderiam circular definitivamente com micro-ônibus, já que apresentam pouco movimento fora dos horários de rush (quando os veículos seguem transitando com motorista e cobrador). ''A experiência visa criar formas de reduzir custos sem demitir funcionários nem prejudicar o cliente'', afirma Mendonça. Ele discorda da afirmação de Batista de que a planilha de custos considera os postos de trabalho. ''A planilha leva em conta o quadro de funcionários, que não está decrescendo'', diz o gerente.
Ontem pela manhã, Mendonça esteve na sede do Sinttrol juntamente com outro representante da empresa e conversou com Batista. ''Admito que houve um erro de comunicação com o sindicato no momento em que os cobradores foram retirados, mas não digo que essa medida foi prejudicial para os motoristas'', comenta Mendonça, sobre o encontro. ''Eles não disseram nem se vão suspender o teste nem até quando ele deve durar'', resume Batista.


