Funcionários da Cohab fazem greve
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de dezembro de 2000
Katia Michelle De Curitiba 
Pela primeira vez em 35 anos, funcionários da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab-CT) decidiram entrar em greve. A paralisação começou ontem, nos cinco postos de arrecadação da Cohab na Capital e só deve acabar quando houver acordo com a prefeitura, segundo informou a presidente da Associação dos Funcionários da Cohab, Úrsula Richard. Os funcionários reivindicam, entre outros itens, abono de 50% do salário nominal.
Com a paralisação, todos os serviços prestados pela Cohab deixaram de ser realizados, desde vencimentos, pedidos de seguro, quitação e transferências. Algumas pessoas vieram de outros Estados para efetuar a transferência do imóvel e perderam a viagem, admite Ursula, comentando sobre o prejuízo da greve para a população. Ela justifica, no entanto, que os funcionários já foram condescendentes demais e agora decidiram lutar pelas melhorias. Nosso objetivo não é deixar de trabalhar, mas sim garantir o cumprimento das nossas reivindicações, salientou.
Somente em Curitiba, existem 169 funcionários da Cohab. Além do aumento salarial, eles querem definição do pagamento de 10% retroativo a novembro/2000 conforme acordo coletivo. No final da tarde de ontem, a prefeitura divulgou nota oficial da diretoria da Cohab, classificando a greve como intempestiva. De acordo com a diretoria, o movimento veio em hora imprópria, pois as negociações salariais estavam em andamento.
Os funcionários, que passaram o dia em frente ao posto principal da Cohab, na Rua Vicente Machado, disseram que estavam cansados de esperar. Segundo a diretoria da Cohab, o salário médio dos funcionários da Cohab é de R$ 1,8 mil. A diretoria classifica essa média como acima dos valores do mercado e comunica que, em função da situação atual, não pode concordar com as reinvindicações da categoria.
A Cohab-CT recupera atualmente um índice de 35% de inadimplência das prestações da casa própria. Se comprometeu, no entanto, a manter um reajuste de 10% nos salários, pago em parcelas de 4% em janeiro, 4% em abril e o restante conforme política salarial definida para os 27 mil servidores do município. Conforme informou a diretoria, o repasse de dezembro será realizado por meio de um talão extra de vales-refeição. Os funcionários da Cohab analisam essas propostas hoje, às 8 horas, quando definem se mantêm ou não a paralisação.


