Funcionários acionam empresa para receber salário
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sexta-feira, 03 de março de 2006
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Os 342 funcionários de uma empresa de Londrina, demitidos em 30 de janeiro, aguardam há mais de um mês a liberação dos salários de janeiro e verbas rescisórias. A empresa tinha contrato com a prefeitura até o início do ano para realizar a limpeza de 100 escolas municipais e centros de educação infantil. Com o término da licitação, os funcionários foram demitidos mas até hoje aguardam o recebimento dos direitos trabalhistas.
Para prevenir um ''calote'', o Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação (Siemaco) entrou com ação na Justiça do Trabalho solicitando o bloqueio da última fatura que a empresa tinha a receber da prefeitura, no valor de R$ 217 mil. A medida foi acatada no início do mês pelo juiz da 5 Vara do Trabalho, Manoel Vinícius de Oliveira Branco. Ontem à tarde, em novo despacho, ele determinou a liberação do dinheiro para pagamento dos salários de janeiro e multa.
Durante a semana, funcionários demitidos realizaram protesto em frente ao Siemaco e contam que estão passando graves dificuldades financeiras com o impasse. ''Eu nunca tinha passado por isso. Trabalho com carteira assinada desde 1976 e jamais imaginei que uma empresa pudesse fazer uma coisa assim, ainda mais uma empresa contratada pela prefeitura'', reclama João Salomão, 46 anos, pai de 5 filhos. Salomão calcula que, além dos salário de janeiro, no valor de R$ 340, tem a receber aproximadamente R$ 3 mil em verbas rescisórias.
A faxineira Graziele Ramos de Souza, 20 anos, diz que o dinheiro ''está fazendo muita falta''.''Não tem como me virar assim. A gente deu um duro danado para deixar as escolas bem limpinhas, e o resultado é esse'', lamenta.
O advogado do Siemaco, Wilson Leite de Moraes, afirmou que se o bloqueio da fatura não tivesse acontecido, a empresa ''não iria pagar o que deve''. Segundo ele, o valor depositado judicialmente dá para saldar apenas os salários. As verbas rescisórias, que somam valores bem maiores, deverão ser buscadas por novas ações.
A assessora jurídica da Secretaria de Educação, Karen Betina Ikeda, avalia que a situação dos funcionários é ''dramática'', mas disse que a prefeitura irá recorrer se for condenada a arcar com os custos trabalhistas. ''Eu conversei com a empresa e eles dizem que estão esperando audiência na Justiça para fazer o pagamento. Mas, se a prefeitura for responsabilizada, com certeza vai recorrer porque a obrigação trabalhista é da própria empresa, que foi contratada para um serviço terceirizado''.


