Funcionário público adota três irmãos e ganha licença de 180 dias
Londrina - No dia 9 de junho do ano passado, o servidor municipal Mario Alves de Oliveira, de 48 anos, e o companheiro dele, Sílvio Cássio Florêncio dos Anjos, de 46, casados há 13 anos, tornaram-se pais adotivos de três irmãos, nascidos no Rio de Janeiro: Jorge Kaleb, Pedro Natan e Micaela Maria, hoje com 4, 5 e 7 anos, respectivamente. Do início da documentação para adotar até a conclusão do processo pelo Cadastro Nacional de Adoção, foram três anos de espera, já que aceitavam irmãos, não faziam restrição de cor, mas tinham determinado o limite de idade de 7 anos. "Parece uma longa gestação, em que cada etapa é seguida de muitas lágrimas e ansiedade", afirma Oliveira, que também se tornou o primeiro servidor de Londrina a se beneficiar com uma licença adotante de 180 dias consecutivos (o companheiro, que é servidor em São Paulo e está em processo de remoção para Londrina, já havia sido beneficiado por legislação que previa tal direito).
"É como uma espécie de licença maternidade que até então só beneficiava as mulheres que tinham filhos biológicos ou adotavam. No nosso caso, esse tempo de adaptação foi fundamental, ainda mais com os cuidados mais diretos que eu teria que assumir, e o processo de liberação foi bem rápido por parte da Prefeitura, abrindo precedente para outros casos", comenta. Normalmente, a licença paternidade e adotante é de cinco dias consecutivos para o servidor municipal. Após o caso de Oliveira, a Prefeitura de Londrina pretende atualizar formalmente o Estatuto do Servidor Público Municipal para esse tipo de licença.
Filho mais velho de sete irmãos, Oliveira conta que sempre fez parte dos seus sonhos ter vários filhos e não consegue imaginar mais a sua vida sem as crianças. "Eles são os meus filhos, definitivamente", afirma, com um largo sorriso. Segundo ele, o fato dos pais adotivos formarem um casal homoafetivo não representou nenhuma dificuldade de adaptação para as crianças. "Elas foram acompanhadas por psicóloga e assistente social durante todo o processo de adoção e têm lidado com naturalidade com isso. Elas convivem com muitas referências femininas na nossa família, como avós, tias e madrinhas, e nas escolas municipais onde estudam a diversidade é tratada de forma bastante respeitosa", explica. "Eles são tranquilos, sabem que têm dois pais: pai Mario e pai Sílvio", acrescenta.
Entusiasta da adoção, Oliveira diz não saber explicar em palavras a emoção de se tornar pai dessa forma. "É incrível como o sentimento de amor aflora, independentemente de laços biológicos ou consanguíneos. Na verdade, todo esse processo mostra realmente que amar é uma escolha", defende. Com referência ao histórico de vida das crianças, que foram vítimas de maus-tratos, ele aconselha que as pessoas que pretendem adotar não tenham a intenção de querer "apagar o passado". "Ninguém tem esse direito e é preciso saber lidar com isso. Existem marcas, mas ao mesmo tempo eles retribuem em dobro todo amor que recebem", conclui.(A.P.N.)





