Funcionário da PEL diz que sofre perseguição
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de junho de 1998
Osmani Costa 
O assistente de processamento de dados da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), Vilson Machado dos Santos, esteve ontem à tarde na Câmara para denunciar aos vereadores uma situação que considera ilegal, irregular e de perseguição política. Ele não se conforma com a mudança de local de trabalho, definida pela Secretaria Estadual de Administração para ocorrer em 1º de junho.
Naquela data, ele deveria ter deixado de trabalhar na PEL (na zona sul), passando a atuar no Serviço de Triagem, Recuperação e Encaminhamento de Menores (Setrem), que funciona junto ao 2º Distrito Policial, na Vila Santa Terezinha (zona leste). Minha transferência foi um ato arbitrário, ilegal e baseado em dados irreais, afirma Vilson Santos, que será ouvido em reunião pela Comissão de Segurança da Câmara na próxima semana.
A perseguição teria começado, segundo Santos, porque a direção da PEL suspeitou que ele e outros três funcionários teriam sido os autores da carta anônima enviada à Câmara e à imprensa, em janeiro último, denunciando uma série de irregularidades administrativas e de violência contra os detentos. Como não conseguem dar uma resposta concreta à sociedade sobre as irregularidades, estão me pegando para bode expiatório, acusa.
Santos se negou a ser transferido para o Setrem e entrou com mandado de segurança na Justiça para continuar trabalhando na PEL. Ele conseguiu uma liminar do juiz da 10ª Vara Cívil, Mário Nini Azzolini, garantindo a permanência na PEL até o julgamento do processo que investigará supostas ilegalidades na transferência.
O diretor da PEL, Raimundo Hiroshi Kitanishi, diz que o Estado está preparando o recurso para tentar a cassação da liminar. Ele também rebate as acusações do funcionário e afirma que a transferência foi determinada por questões administrativas. Não tem nada de perseguição política. Ela foi baseada em processo administrativo e no histórico funcional do Vilson dos Santos, que não tinha o rendimento adequado.
Kitanishi diz que houve processos administrativos anteriores contra o funcionário. Há uma série de razões trabalhistas para termos colocado o funcionário à disposição do Estado e para a transferência. Não tínhamos mais interesse em trabalhar com ele, diz o diretor.


