A funcionária do Supermercado Condor em Londrina, Matilde Chiquete, 52 anos, entrará com uma ação de indenização por danos morais contra a empresa. Ela foi presa no dia 19 de novembro acusada de tentativa de furto. Foi liberada ontem, depois que o advogado Oscar Nascimento entrou com pedido de liberdade provisória.

Encarregada do Departamento de Higiene e Limpeza, Chiquete afirma que estava sendo perseguida pela gerência do Condor por ter estabilidade de dois anos como vice-presidente da CIPA. ''Me deram advertência por algo que não eu tinha como prever e agora isto. Queriam me demitir por justa causa'', afirma.

Ela conta que no final de sua jornada no dia 19 de novembro, passou o cartão ponto, voltou para o interior da loja para buscar sua agenda e foi fazer compras no próprio supermercado. Ao sair depois de passar pelo caixa, o sensor de segurança disparou.

Segundo Matilde Chiquete, nesse momento o gerente de segurança Anderson Pellizzori a abordou. ''Eu falei para ele me revistar e foi direto na minha agenda'', conta. Dentro de sua agenda havia um cartão de aniversário do Condor. ''Fui ameaçada para confessar, mas disse que não podia confessar algo que não fiz'', conta. ''Chamaram os policiais e fui levada para o 2º Distrito Policial.''

Matilde Chiquete ficou presa até ontem. O advogado Oscar Nascimento afirmou que irá entrar com uma ação contra a empresa porque a moral de sua cliente foi profundamente abalada. ''É uma experiência traumatizante'', disse Chiquete. Ela trabalhou em enfermagem durante 30 anos e dois anos nos mercados Muffato.

A Folha tentou entrar em contato com o gerente Anderson Pellizori mas na loja de Londrina, a assistente administrativa Angela Godoy informou o número de outro telefone em Curitiba. A Folha ligou diversas vezes mas não conseguiu contactar o gerente.

O Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina está acompanhando o caso.

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