Funcionária do Cense suspeita de usar jovens no tráfico
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sábado, 05 de dezembro de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Sessenta e três pessoas, entre elas 11 adolescentes e uma auxiliar de enfermagem que trabalha no Centro de Socioeducação (Cense), foram presos por uma força-tarefa de Londrina de combate ao tráfico de drogas. A ação, que terminou ontem, resultou tambem na apreensão de 369 quilos de drogas, entre maconha, haxixe, crack e cocaína, além de cinco motos, três bicicletas, três carros, um caminhão bi-trem e 12 revólveres.
De acordo com o delegado Michel Araújo, da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) de Londrina, só ontem foram cumpridos 13 mandados de prisão na cidade e dez de busca e apreensão, nos quais participaram cerca de 80 policiais. Ele informou que a Operação Mosaico teve início em julho deste ano e desmantelou três grupos criminosos associados, que atuavam de forma independente no município e em cidades do Mato Grosso e de Santa Catarina.
Segundo o delegado, a servidora pública atuava principalmente na Zona Norte, 'empregando' adolescentes, que ficavam em vários pontos de venda de drogas. Araújo afirmou que o líder da quadrilha usava armas para aliciar os jovens para o tráfico, enquanto a esposa dele, que atuava no Cense, o auxiliava com informações sobre os adolescentes que ocasionalmente eram apreendidos. ''Ela tratava bem ou castigava os jovens de acordo com o comportamento deles no trabalho de rua'', comentou o delegado.
A FOLHA apurou que a suspeita de 31 anos trabalhava na unidade há três anos. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Criança e da Juventude, até agora não havia nenhum registro que envolvesse a servidora em problemas administrativos ou disciplinares. Ainda segundo a assessoria, a secretaria abrirá um procedimento administrativo para investigar as acusações contra a servidora.
Ainda segundo o delegado, a droga era trazida por fornecedores de Foz do Iguaçu e Ponta Porã (MT). Segundo o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Sérgio Barroso, a quadrilha também está ligada a homicídios e furtos e roubos realizados na Zona Norte este ano.
Para o promotor Cláudio Esteves, do Gaeco, a força-tarefa foi importante para mapear o ingresso da droga em Londrina e pulverizar as inúmeras associações que trazem as substâncias para a cidade. ''Descobrimos que não é um único e grande distribuidor, mas que existem vários grupos distribuidores, que usam carros como moeda de troca no pagamento do tráfico'', declarou Esteves, reiterando que os traficantes se dividiam de tal forma que mesmo se um deles fosse preso, não estaria ligado aos demais. A força-tarefa foi formada policiais militares, civis, federais e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). (Colaborou Fernanda Borges)


