A coordenação regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no Paraná realiza até amanhã, em Londrina, uma oficina de trabalho para definir, junto aos prefeitos, representantes do Ministério das Cidades, dos Serviços Municipais Autônomos de Água e Esgoto, dos consórcios intermunicipais e de universidades, as diretrizes dos planos municipais de saneamento.
Conforme o engenheiro Pedro Vilar, coordenador de assistência técnica a gestão em saneamento do departamento de engenharia de saúde pública da Funasa em Brasília, hoje, mais de 80% da população brasileira têm acesso à água tratada, mas menos de 40% têm esgoto. ''Pelo menos 60% das cidades com até 50 mil habitantes já têm programas de coleta de resíduos sólidos, mas a cobertura de tratamento ainda é baixa.''
Segundo ele, a partir da lei 11.445, a qual regula a política federal de saneamento básico, todas as cidades brasileiras deverão ter um plano municipal, independente do tamanho da população. Num primeiro momento, a Funasa assinou convênios com 12 municípios do Paraná, Minas Gerais, Ceará, Bahia e Espírito Santo para que comecem a elaborar programas-piloto, que servirão de base para o restante do País. Em média, serão repassados R$ 100 mil para cada um dos municípios, que terão cerca de um ano para definir suas diretrizes. No Paraná, Terra Rica, Sarandi e Ibiporã foram contemplados com o recurso.
Segundo o coordenador regional da Funasa no Paraná, Vinícius Reali Paraná, as cidades foram escolhidas pois já têm autarquias municipais de água e esgoto e possuem baixo índice de desenvolvimento humano. Conforme ele, estão abertas, desde o último dia 23, as inscrições para que outros municípios possam pleitear recursos junto à Funasa. O cadastro pode ser feito até dia 14 de setembro no site da fundação: www.funasa.gov.br.
Conforme o prefeito de Sarandi, Aparecido Farias Spada, a cidade já vem planejando as ações de saneamento básico dentro do Plano Diretor do município. Hoje, apesar de toda a população ter acesso à água, apenas 3% do esgoto coletado é tratado. ''A verba da Funasa vai beneficiar muito a cidade, pois sabemos o que fazer, mas não temos dinheiro para investir'', declarou.
Terra Rica também já tem um plano municipal de saneamento delineado, pois aderiu ao sistema da Funasa em 1994. Segundo o prefeito Mario Luiz Lanziani, todos têm acesso à água, mas apenas 20% têm esgoto tratado. ''Temos aterro sanitário e toda a população faz a coleta seletiva do lixo'', completou o prefeito, que pretende aplicar os recursos da Funasa na conclusão da rede de esgoto e na melhoria da rede de água e da coleta e tratamento de resíduos sólidos.
Já o prefeito de Ibiprã, Alberto Bacarin, contou que está finalizando o Plano Diretor do município e que vê no georrefereciamento uma ferramenta ''para olhar a cidade de outra maneira''. ''Vamos trabalhar nas questões técnica e participativa, contando com a opinião da população para desenvolver o plano de saneamento.''

mockup