Funasa garante atendimento médico
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2006
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
As 60 famílias da invasão indígena guarani instalada na Fazenda Boa Vista, em Abatiá (61 km a oeste de Jacarezinho), devem começar a receber atendimento médico da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em cerca de 10 dias. A oferta do serviço foi definida ontem, durante uma reunião entre representantes da fundação, da Prefeitura de Santa Amélia (63 km ao sul de Cornélio Procópio) e da comunidade indígena. As famílias, originalmente residentes na Reserva Laranjinha, estão há dois meses na fazenda, lutando para reconquistar terras que, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), pertenceu aos ancestrais guaranis.
Na invasão estão 60 famílias. Há dois meses, a comunidade vive o clima de enfrentamento com os donos de terras, que reclamam a posse legal das fazendas. Sem atendimento médico, já que deixaram a Reserva Laranjinha, os índios enfrentaram surtos de febre e passaram a exigir acompanhamento por parte da Funasa. Por este motivo, o clima tenso se virou também contra os remanescentes da aldeia, que passaram a acusar os índios da invasão de tentar prender as equipes médicas que visitassem o acampamento.
Dos 150 índios acampados, 48 são crianças e três são idosos. Segundo o presidente do Conselho Local de Saúde Indígena, Reginaldo Aparecido Alves, a saúde do grupo é avaliada como razoável. ''Mas os surtos de febre mostram que não poderíamos ficar sem atendimento'', reclama. As emergências eram emcaminhadas pela própria comunidade para os postos de saúde de Santa Amélia. A invasão, ainda recente, não conta com estrutura médica e portanto não poderia receber visitas de equipes da Funasa.
Na reunião, a assistente social da Funasa, Lilir Fragoso, garantiu a contratação de um agente de saúde e a formação de um auxiliar da própria comunidade, com recursos federais. O município de Santa Amélia, que recebe mensalmente R$ 12,8 mil para o atendimento exclusivo da comunidade indígena, não vai ganhar verba adicional. ''O aumento já aconteceu há pouco tempo e a Secretaria de Saúde nos garantiu que o dinheiro é suficiente'', explicou. A Funasa também se comprometeu a terceirizar o transporte de pacientes até a cidade - distante 10 km da fazenda. ''Tudo deve estar regularizado e pronto para funcionar em até 10 dias.''


