Funai: prisões podem conter invasões
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quarta-feira, 18 de dezembro de 1996
Edna Mendes<br> Especial para a Folha 
SÃO JERÔNIMO DA SERRA - O chefe do posto da Funai da reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra (95 quilômetros ao sul de Londrina), Luiz Alan Vãn-Fly Juvêncio, disse ontem que os problemas de invasão na área parece que estão próximos de uma solução. Anteontem, o juiz substituto da 2ª Vara Federal, Gilson Luiz Inácio, decretou a prisão preventiva de quatro pessoas acusadas de acobertar invasores da Gleba Cedro, dentro da reserva.
Entre os presos está o vice-prefeito eleito de São Jerônimo da Serra, Manoel Rocha Rodrigues, e os lavradores Expedito Belo dos Santos, Antônio Luiz Gomes e Waldemir Rodrigues de Souza. Os três lavradores, tidos como líderes, são acusados por desobediência em desocupar a área. O vice-prefeito eleito é acusado de incentivar invasões.
A reserva indígena é alvo de constantes invasões. Somente neste ano ela foi invadida quatro vezes. A última invasão aconteceu em outubro, quando 12 famílias de ex-posseiros ocuparam o local. Em julho, os índios chegaram a prender quatro posseiros que ficaram como reféns durante três dias.
Segundo o juiz, em razão de uma invasão em janeiro, foi aberto inquérito e com base nele a Procuradoria da República pediu a prisão preventiva dos líderes da invasão para garantir a ordem pública. Quando as famílias ficavam sabendo que a polícia estava chegando elas se refugiavam na casa do vice-prefeito eleito, explicou o juiz.
Presos Os acusados estão sob custódia da Polícia Federal e serão ouvidos hoje. Segundo o juiz, eles terão prazo de três dias para apresentar documentos e testemunhas que os inocentem. Waldemir Souza e Antônio Gomes já têm passagem pela polícia.
Um quinto acusado não foi preso porque não estava no local. Trata-se de Adenilson da Silva Cruz, conhecido como Nego Saruê, que também tem várias passagens pela polícia.
O vice-prefeito eleito, Manoel Rodrigues, possui uma propriedade próximo à área invadida. Segundo a Polícia Federal, ele é acusado de dar alimentos e abrigo aos invasores. Rodrigues falou que quando alguém de alguma igreja pede doação ele contribui. Não resisti à prisão porque respeito a Justiça, disse logo após ser preso.
Já o lavrador Waldemir Souza disse que não ficou surpreso com a prisão, mas argumentou que não acha justo a decisão da Justiça. Sou nascido e criado na área.
Reserva Na reserva indígena vive cerca de 500 índios cainguangues. A área foi demarcada pela Funai em 1988, mesmo assim as invasões são frequentes. São 3.750 hectares, dos quais 843 estão na Gleba do Cedro. Os índios dizem que nas quatro invasões deste ano desapareceram 32 cabeças de gado que estavam na gleba. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) não reconhece os invasores como integrantes do movimento.


