Funai poderia ter acionado a polícia
Segundo a assistente social da Funai de Londrina, Evelise Viveiros Machado, o órgão e a Funasa tentaram de todas as formas convencer a mãe de Liliane Marcondes sobre a necessidade da internação da menina. A questão é que, pelas leis da reserva, se a mãe não quiser, ninguém pode fazer nada. Os únicos que poderiam ter convencido a mulher eram as lideranças da tribo, o cacique e o chefe do posto. E nós não podemos desrespeitar a cultura deles, justificou.
Segundo ela, a Funai trabalha com uma cultura diferenciada e não dá para chegar e falar para o índio que ele vai preso se não fizer isso. Não é assim que funcionam as coisas, disse.
De acordo com a assistente social, a Funai vai intensificar o trabalho de conscientização sobre a importância dos cuidados com as crianças junto às reservas sob sua abrangência. É o máximo que podemos fazer, afirmou.
Porém, segundo o jornalista Mário Moura Filho, da assessoria de imprensa da Funai de Brasília, os pais de Liliane poderão ser responsabilizados criminalmente pela morte da menina. Se foram de fato negligentes, se for comprovado, inclusive por documentos, que foram totalmente esclarecidos sobre a gravidade do problema e não deram o atendimento necessário, eles poderão ser responsabilizados, disse.
De acordo com Moura, se a Funai de Londrina teve conhecimento do caso, deveria ter agido mais firmemente para garantir os direitos da menina. A médica deveria ter comunicado a Funasa e o órgão tinha a obrigação de convencê-los da necessidade preemente da hospitalização. Se nem assim conseguissem resultados, a Funai deveria ter disposto de todos os meios inclusive da Polícia para garantir o atendimento médico, explicou.





