Funai culpa índio por assassinato
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sexta-feira, 19 de dezembro de 1997
Luciane Tonon Londrina 
O presidente do Conselho Indígena do Norte do Paraná, Lourival de Oliveira, responsabiliza Luiz Amaral pelo assassinato da índia Suzana Frederico, 11 anos, segunda-feira na reserva São Jerônimo em São Jerônimo da Serra (95 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio). Segundo ele, Amaral vivia há um ano com a menina em Londrina e, na semana passada, foi para a reserva, onde ficou com sua ex-mulher, Edite Amaral, autora do crime. Suzana foi atrás dele e acabou sendo assassinada pela índia Edite.
Ele é culpado, porque quando decidiu deixar sua mulher e ficar com a menina nós fizemos a transferência dele para Passo Fundo (RS) e até hoje ele não foi, afirmou Oliveira. Segundo ele, Amaral é monitor bilíngue da Funai. A menina morreu inocente, porque estava apaixonada por ele, e Edite matou por revolta de estar passando necessidade com os dois filhos que ele abandonou, acrescentou o presidente. Ele disse que Edite também será punida pelo que fez.
Hoje, Oliveira vai se reunir com as lideranças da reserva para decidir a pena de Edite e Amaral. Na cultura indígena quem mata ou rouba tem que pagar.
O chefe do Posto da Funai na reserva São Jerônimo, Gilmar Ferreira da Silva, contestou a acusação da família de Suzana, publicada ontem pela Folha, que o cacique Nelson Vargas estaria ciente do crime. O problema vem acontecendo há um ano e nós (Funai e cacique), tentamos intervir por várias vezes. Inclusive para conseguir pensão dele para as crianças, argumentou.
Segundo Silva, na semana passada, Amaral voltou para a reserva e ficou com sua ex-esposa. A menina ligou atrás dele 15 vezes, até que resolveu ir pessoalmente. No domingo, Amaral pegou Suzana e foram para a casa da avó dele que fica menos de 100 metros da casa de Edite. Deu no que deu. Silva disse ainda que o crime aconteceu dentro da casa da avó de Amaral. Se ninguém chegasse no local, os dois morreriam.


