Fumar está cada vez mais difícil
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sexta-feira, 28 de maio de 2010
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Quem começou a fumar há aproximadamente 30 anos encontrou um mundo adaptado para o cigarro. Era permitido usar o tabaco dentro de aviões e o gerente do banco tinha até cinzeiro e carteira de cigarro em cima da mesa para oferecer aos clientes. As estrelas de cinema ostentavam cigarrilhas luxuosas e faziam do ato de fumar uma atitude sensual. Com o tempo os problemas de saúde vinculados ao cigarro foram cada vez mais divulgados e as coisas mudaram.
Após ser proibido em voos e repartições públicas, a lei atingiu o ápice no ano passado, quando no Paraná o cigarro foi proibido em qualquer ambiente público fechado, áreas cobertas próximas de portas e janelas e até em carros com crianças e gestantes. Os conceitos mudaram e fumar passou a dar trabalho, sob risco de multa alta. O Dia Mundial Sem Tabaco, comemorado em 31 de maio, será marcado por atividades em vários municípios.
A empresária Fátima Kalil fumou durante 30 anos. Eram aproximadamente 30 cigarros por dia. O gasto mensal atingia os R$ 300. Após tentar parar com remédios e adesivos, optou por participar de um programa de neurolinguística. A escolha deu certo e ela está livre da fumaça desde outubro do ano passado. ''O cerco contra o fumante foi se fechando. Todo lugar que eu vou é proibido fumar. Para voltar a frequentar estes espaços sem ficar inquieta por não poder fumar, resolvi participar do programa'', explica Fátima.
Outros empecilhos contribuíram para a empresária desistir do cigarro. Em diversos locais era obrigada a fumar na janela ou na área de fora, exposta ao frio. ''Eu gostava de sentar sossegada e degustar o cigarro. Mas não tem mais espaço para isso hoje. Você fuma e do outro lado da rua já tem alguém abanando a fumaça, então vi que era hora de parar'', conta.
Hoje, o contato de Fátima com pessoas que fumam é pacífico. Ela não foge da fumaça nem reclama de quem fuma. Apenas fez a opção de ficar livre do vício.
Agenda
O programa do qual Fátima participou se chama ''Eu Parei'' e foi idealizado por uma ex-fumante. A administradora e especialista em programação neurolinguística Vera Mendes chegou a fumar três carteiras por dia. Isso durou 26 anos, inclusive em uma gestação. ''Eu achava que não tinha como viver sem cigarro''. Foi quando marcou um dia na agenda e decidiu não fumar mais. A força de vontade deu certo e ela passou a ministrar palestras que originaram o programa.
Nos encontros, um grupo de profissionais desmistifica o ato de ficar sem fumar. ''A maioria acha que fumar acalma, mas não existe nenhuma substância no cigarro que gera essa sensação. Na realidade ele é um estimulante.''
O programa funciona em cinco dias. No primeiro, os participantes se comprometem a não parar de fumar até o último encontro. No penúltimo dia algumas pessoas já não conseguem mais colocar o cigarro na boca. Segundo a organizadora, não há mágica nem remédios. São palestras sobre tabagismo. ''Não ficamos falando que o pulmão está preto ou da quantidade de doenças que o tabaco é responsável. Mas sim do ato de parar de fumar''.


