Londrina – Pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) publicaram, em janeiro, um estudo inédito sobre a relação entre o fumo e o sedentarismo. Fumantes considerados "saudáveis" e não fumantes foram monitorados com um pedômetro, aparelho que conta o número de passos dados por dia. A constatação foi de que os fumantes se movimentam menos e são mais ansiosos, deprimidos e propensos a desenvolverem doenças cardíacas.
Durante os seis anos de pesquisa que resultaram na dissertação de mestrado da fisioterapeuta Karina Furlanetto, 180 fumantes foram avaliados. Os resultados mostraram que eles caminhavam em média 7.923 passos por dia, contra 9.553 dos não fumantes. "Na prática, é uma associação lógica dizer que fumante é sedentário, mas não havia esta comprovação científica", contou Karina. Cerca de 15 pessoas participaram do estudo desenvolvido no Laboratório de Pesquisa em Fisioterapia Pulmonar, do Hospital Universitário (HU).
O orientador do estudo, o pós-doutor em Fisioterapia e professor da UEL, Fábio Pitta, aponta o exercício como a melhor porta de saída para o tabagismo. "Nós defendemos que o fumante deve fazer exercício, mas não fazemos apologia ao fumo. O ideal é que ele pare de fumar. O exercício não anula os malefícios do cigarro", alertou. Segundo ele, as campanhas contra o tabagismo estão surtindo efeito, mas como os reflexos na saúde costumam aparecer por volta dos 60 anos, há um aumento considerável de casos da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
"Hoje temos menos fumantes, mas os hospitais estão lotados de pacientes com doença pulmonar causada pelo cigarro: resultado do glamour que o tabaco tinha até os anos 1980. É um tratamento caro que onera o estado", explicou Pitta. De acordo com Karina, os resultados obtidos entre os fumantes foram positivos. "Fixamos a meta de 10 mil passos por dia, o que corresponde a 30 minutos de atividade física moderada. Muitos deles despertaram a consciência e passaram a se exercitar, primeiro passo para abandonar o vício", disse.
Com um artigo sobre o estudo publicado na revista internacional Respirology, Karina já iniciou o doutorado e pretende continuar com as pesquisas. Ela destacou que o Laboratório também oferece tratamento para pacientes com DPOC. "Além da prevenção, a equipe trabalha com pacientes vítimas da doença respiratória. Com eles também trabalhamos a importância da atividade física".

Leia também:

- ‘Atividade física é o meio mais fácil para deixar de fumar’


Serviço
Pacientes com DPOC podem procurar tratamento no Laboratório de Pesquisa e Fisioterapia Pulmonar do HU. O telefone de contato é (43) 3371-2477.

mockup