Os ativistas antitabaco têm um novo alvo no Brasil: o mundo corporativo. E a arma é uma cartilha que ensina todos os passos para banir, de vez, o cigarro das empresas. Com o nome de "Ambientes de Trabalho Livres de Fumo - Manual para Tornar sua Empresa Mais Produtiva", o material é uma iniciativa da ONG Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), em parceria com a multinacional Johnson & Johnson. Ele está disponível para download gratuito no site da organização não-governamental (www.actbr.org.br).
O documento é uma tradução do guia elaborado pela Global Smokefree Partnership (Parceria Global para Ambientes Livres do Fumo), ONG que reúne cerca de 500 entidades e parceiros em mais de 60 países. Logo na introdução, um número alarmante para justificar a proposta: cerca de 200 mil pessoas morrem todos os anos por causa da exposição à fumaça tabagística (o dado é da Organização Internacional do Trabalho). "Esse número inclui os que respiram a fumaça passivamente, o que reforça a importância de se proteger o não-fumante", diz Mônica Andreis, psicóloga e vice-diretora da ACT.
Ao longo de 53 páginas, a cartilha sugere um processo de planejamento, implementação e execução de uma política contra o cigarro em empresas, instituições e estabelecimentos públicos. O cronograma inclui 30 etapas a serem cumpridas em um prazo de seis meses (no caso de companhias de grande porte).
O primeiro passo é "designar um gerente responsável pela coordenação do projeto". O último, "comemorar o sucesso do programa junto a eventos como o Dia Mundial Sem Tabaco ou o Dia Internacional do Trabalho". No meio da caminho, há todo um trabalho educativo sobre os males do cigarro, realizado por meio de ações socializantes e de comunicação.
"Ainda não sabemos quantos downloads foram feitos até agora, mas o manual teve uma boa repercussão na mídia", afirma Mônica. Para ela, é importante que todas as companhias entendam a proposta do programa, independentemente do tamanho e nível de organização. "Em empresas pequenas, o próprio dono pode assumir a coordenação", exemplifica.
O material prevê ambientes completamente livres da fumaça. Mas, segundo Mônica, deslocar os fumantes para áreas externas, ao ar livre, já representa um avanço. "Está provado que as pessoas consomem menos cigarros por dia se precisam sair para fumar", afirma.
É o que ocorreu na sede curitibana da empresa EBS, especializada em softwares. Até o ano passado, os fumantes se reuniam na porta da sala de lazer, um espaço com pufes e mesas de sinuca e pingue-pongue. "Não dava certo, porque a fumaça e o cheiro não iam embora", conta Ângela Scroccaro, gerente de Recursos Humanos. Após uma série de reuniões e orientações, a turma do cigarro foi transferida para fora do prédio. Hoje, apenas 15 dos 97 funcionários fumam - antes eram 25.
Segundo o médico Jayme Zlotnik, presidente da Associação Paranaense Contra o Fumo, os benefícios para os empregadores que implantam programas antitabaco são muitos. Vão do aumento da produtividade à diminuição do risco de incêndios. Não à toa, muitas empresas, em seus processos de admissão, já levam em consideração o hábito de fumar. "Entre dois candidatos em condições iguais, o não-fumante leva vantagem hoje em dia", garante.

mockup