Fumantes apresentam justificativas
É um gesto automático. Como se a continuação lógica do ato de fumar fosse dispensar a bituca do cigarro na calçada ou mesmo na rua. Ainda que o curitibano tenha fama de ser cuidadoso em não jogar lixo em via pública, o mesmo não vale para o resto do cigarro, até para quem garante que guarda o papel de bala até a próxima lixeira.
Pego de supresa, o segurança Orlando Pedroso, 51 anos, admite que não há desculpas para o ato impensado de jogar a bituca no canto da calçada. ''É falta de educação, mas é um hábito. Nem procuro se tem lixeira ou cinzeiro perto''. A justificativa é o tempo curto para fumar durante o expediente. Fumante há 20 anos, cerca de meia carteira ao dia, ele nem consegue calcular o quanto de lixo já dispensou em via pública.
Mas Pedroso garante que não faz o mesmo com outros tipos de dejetos, ao contrário de Davi Fernandes Alves, 22 anos. Ele conta que faz com o resto do cigarro o mesmo que faz com outros lixos: joga onde está. ''Nem percebo que faço. Só sei que nunca procuro lixeira ou cinzeiro''. Apesar de ser fumante há pouco tempo, restos de uma carteira ao dia vão ao chão pelas mãos de Alves.
O argumento da aposentada Rosana Ferro, 49 anos, é que não dá para jogar o cigarro ainda aceso na lixeira. ''Tem que apagar antes, então, nem sempre dá'', diz. Ela comenta que até procura o cinzeiro mais próximo, mas, se a distância for maior do que alguns passos, nem se dá o trabalho. ''Em muitos lugares não tem lixeira perto'', reclama.
O gesto não fica sem um olhar de repreensão da vendora Clair Susin, 51 anos. ''Eu acho que jogar bituca no chão é um hábito horrível. Além de poluir o ambiente, ainda suja a rua. É uma falta de respeito com quem não fuma'', queixa-se. (M.R.M.)





