Fumacê vai combater dengue em BH
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terça-feira, 17 de março de 1998
Adriana De Cunto 
Mário CésarVistoriaEquipamentos são vistoriados: para FNS, Londrina está tranquilaA Fundação Nacional de Saúde (FNS) de Londrina vai emprestar para Belo Horizonte (MG) duas caminhonetes com equipamentos para pulverização de defensivos em locais infestados pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. A capital mineira passa por uma epidemia da doença: foram registrados 23 mil casos de novembro até agora. Com a transferência dos equipamentos, a Cidade vai ficar sem o recurso do popular fumacê, já que o outro veículo equipado com o pulverizador está parado e precisando de reforma.
Fabiano Geraldo Pimenta Júnior, chefe do Serviço de Operação da FNS de Minas Gerais, diz que Belo Horizonte aguarda o empréstimo de quatro equipamentos do Paraná para os próximos dias. O problema é intenso, grave e a gente precisa dessa ajuda, justifica. BH conta com 20 equipamentos e, segundo Pimenta Júnior, os quatro veículos farão diferença na guerra para acabar com a epidemia de dengue. A previsão da FNS mineira é que os equipamentos e mais um grupo de funcionários paranaenses permaneçam em BH por aproximadamente 30 dias. O chefe do Serviço de Operação lembra ainda que só o Paraná está emprestando os veículos para Minas.
José Jorge de Aquino, responsável pelo Setor Técnico da FNS em Londrina, garante que os equipamentos não vão fazer falta por enquanto porque, na avaliação dele, a dengue está sob controle na Cidade. Ele diz que neste ano foram notificados 29 casos e confirmado apenas um. Nós estamos tranquilos, afirma Aquino.
Segundo o responsável pelo Setor Técnico, o equipamento que ficará em Londrina é de fácil recuperação, e poderá ser consertado em caso de necessidade. A regional de Londrina da FNS atende 136 municípios. José Jorge de Aquino explica que os dois equipamentos para fumacê já estão prontos para seguir viagem e a FNS aguarda apenas a liberação da coordenadoria regional da Fundação, em Curitiba.
Mas a tranquilidade do responsável pelo Setor Técnico não é sentida em todos os funcionários da FNS. Um técnico, que pediu para não ser identificado, não concorda com o empréstimo. Segundo ele, Londrina e região vão ficar desprotegidas sem o fumacê. As máquinas que vão ficar estão em péssimo estado, adianta. O funcionário conta que o assunto foi discutido em uma assembléia, nesta semana, e muitos servidores da FNS se manifestaram contrários à transferência, mesmo que temporária. Outros funcionários reveleram preocupação com a possibilidade de que os equipamentos não retornem mais ao Paraná ou voltem sucateados.
O secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, não sabia do empréstimo e mostrou-se surpreso pelo fato de Minas Gerais, um Estado da região Sudeste, ter que emprestar o equipamento do Paraná. Será que São Paulo, Rio de Janeiro não poderiam emprestar? Ele se diz sensibilizado com o problema da capital mineira, e comenta que o fato de Belo Horizonte ter que buscar equipamentos a uma distância tão grande demonstra o quanto está sucateada a saúde no Brasil.
Para Agajan Der Bedrossian, o melhor remédio para combater a dengue é a liberação de recursos financeiros pelo Governo Federal. Dizer que Londrina não corre o risco de ter uma epidemia de dengue é relativo. Isso pode acontecer a partir do momento que as autoridades se descuidarem, quando faltarem equipamentos ou quando faltar o zelo da população.


