Toda noite, a mesma cena: o empresário Pedro Lúcio Andrade Neto é obrigado a fechar as janelas de seu apartamento, no centro de Londrina, porque não suporta o cheiro desagradável da fumaça trazida pelo vento desde a Central de Moagem (CM) de restos vegetais da Autarquia do Meio Ambiente (AMA), que funciona há quatro anos na Fazenda Refúgio (zona sul).
‘‘Durante o dia, o problema não é tão grande. Ele piora à noite, com a chegada dos ventos que vêm do sul. A fumaça é ardida e atrapalha a vida da gente dentro de nossos apartamentos, a quilômetros de distância. A AMA tem que resolver este problema, talvez transferindo a central de moagem para a região norte da Cidade’’, afirma Pedro Neto, que é membro do Rotary Londrina Nordeste.
Na tarde de ontem, ele foi com a reportagem da Folha até a central de moagem da AMA, que funciona como um aterro onde são depositados e queimados, 24 horas por dia, diferentes objetos que não deveriam estar lá. São bancos de automóveis, pneus velhos, latas de tinta, tambores de combustível, pedaços de telefones públicos, fogões, sofás e restos de construção.
Todo este entulho é levado ao local, diariamente, por cerca de 130 caçambas particulares, destas que se aluga quando é necessário dar um fim no lixo e sobras de reformas de casas e limpezas de terrenos. O problema é que este tipo de lixo deveria ter outro destino: o aterro sanitário - na estrada do Limoeiro (zona leste) - ou a central de moagem de entulhos, atrás do Iapar (zona sul).
O aterro é uma imensa fogueira a céu aberto, que queima naturalmente 24 horas por dia. A decomposição dos restos vegetais produz um gás inflamável que, ao vazar para a superfície entra em contato com os raios solares e pega fogo, que se espalha rápido pela vegetação e outros objetos secos.
A CM de restos de vegetais foi planejada inicialmente para dar fim apenas a galhos, folhas e gramas vindos das podas de árvores das ruas, praças e quintais. No local há dois trituradores, que transformam as folhas e restos de galhos em adubo orgânico que é usado pela Secretaria de Agricultura em hortas comunitárias e escolares. A lenha retirada dos galhos mais grossos e troncos - cerca de 50 metros cúbicos por semana - é doada ao Provopar.
‘‘O problema é que a população e os operadores das caçambas misturam na carga todo tipo de tranqueira. Eles escondem os restos de construção, lixo doméstico e móveis velhos por baixo, e colocam os restos vegetais por cima. E mandam tudo para a nossa central de moagem, que virou um verdadeiro aterro de lixo’’, comenta o técnico da AMA, José Paulo da Silva. Os oito funcionários que trabalham no local não conseguem separar todos os objetos antes deles serem jogados ao fogo.Paulo WolfgangFogueira naturalAterro na Fazenda Refúgio: decomposição de restos vegetais produz gás que queima constantementeOsmani Costa

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