Antônio Marques Vieira, aposentado de 80 anos, tem uma história semelhante a de tantos outros portugueses que adotaram Londrina como lar. No mês passado, completou 51 anos de vida no Norte do Paraná. Viveu na roça, dirigiu caminhão e trabalhou na Estrada de Ferro. Nunca voltou a Portugal: aqui casou e teve oito filhos. ''Fui muito bem recebido aqui e nunca quis voltar'', admite, ao mostrar a preocupação com a situação dos londrinenses que tentam a sorte em Portugal.
Ele lembra a viagem de 23 dias que fez no Almirante Alexandrino, antigo navio do Lloyds brasileiro, para chegar ao país. Terminada a Segunda Guerra Mundial, toda a Europa estava em apuros econômicos. Os laços de afeto com a terra mãe diminuiram, mas com certeza nunca acabaram. Vieira comunica-se toda semana com os irmãos que ficaram em Portugal.
As notícias de que imigrantes estão passando por dificuldades não surpreende. ''O país virou entrada para a comunidade européia, mas quem vai para lá querendo trabalhar não terá problema'', garante. Seu Antônio diz que as leis do Brasil são muito parecidas com as de Portugal. ''Só que lá são cumpridas'', adverte.
Tendo ou não razão, ele é uma prova viva de como a história entre as duas nações permanece entrelaçada até hoje. Morando na Vila Nova, a maior preocupação agora é com a sa© úde. Um infarte complicou a artéria direita do coração. Uma válvula mantém a esquerda funcionando. ''Quiseram me operar e colocar quatro pontes de safena, meus filhos me prenderam quatro dias no hospital, mas não quis operação não'', gaba-se.

mockup