Como se não bastasse a crise carcerária em Londrina, foragidos da Colônia Penal Agrícola (CPA) do Paraná estão dando muita dor de cabeça para a polícia local. ''Temos prendido muitos aqui, principalmente neste início de ano. Eles são liberados no Natal e não voltam'', afirma o superintendente da 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Francisco de Assis.
Os detentos da CPA, localizada em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), cumprem pena em regime semi-aberto. Nas épocas de Natal e Ano Novo, presos que apresentam boa conduta ganham um período de liberdade para visitar a família. No final do ano passado, a concessão beneficiou 820 presos. Destes, 60 não retornaram.
O problema é agravado pelo fato de que muitos detentos foragidos reincidem no crime. Ademir Rodrigues de Oliveira Amaral, 19 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar (PM) de Londrina, na noite de anteontem, após um assalto. Amaral justificou por que decidiu pôr sua liberdade em risco: ''A gente não tem nada a perder nessa vida, não. Estamos aí para matar e para morrer''.
O vice-diretor da CPA, Acir Pereira, considera pequeno o número de presos que se aproveitam do benefício de Natal para fugir. ''Em 2003, foram apenas 7% dos presos. As evasões vêm caindo muito, pois temos buscado oferecer mais trabalho e estudo para os detentos'', ressalta. Pereira acredita que o caso de Londrina, onde a polícia afirma que a recaptura de foragidos da CPA é frequente, seja ''isolado, uma coincidência''.

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