Fugitivo que levava vida normal é denunciado e preso
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quarta-feira, 05 de agosto de 1998
Lucilia Okamura 
Claudinei Gonçalves, 27 anos, acusado de roubo, foi recapturado ontem de manhã pela Polícia Militar de Londrina. Ele fugiu em novembro de 96 de um distrito policial e, durante todo o tempo em que esteve livre, nunca foi importunado pela polícia, trabalhou, sempre morou na própria casa e até compareceu a uma audiência no Fórum para responder a um outro processo. Só foi preso por causa de uma denúncia anônima.
Conhecido por Indinho, Claudinei foi detido em outubro de 96 por furtar uma bicicleta no estacionamento de uma empresa na Vila Yara (área central). A bicicleta estava lá dando sopa e peguei mesmo, relata. Ele alega que estava desempregado e ia vender a bicicleta para comprar comida. Mas o dono viu, chamou a polícia e Indinho foi autuado em flagrante.
Indinho ficou detido no 2º Distrito Policial (zona leste) cerca de um mês, quando resolveu fugir com outros companheiros de cela. Vi o buraco aberto na parede e saí, resume. Ele conta que foi direto para a casa, no Jardim Santa Fé (zona leste), onde mora com a mulher e três filhos pequenos.
Em novembro de 96, ele ingressou na frente de trabalho da prefeitura, onde ficou por seis meses. Saiu e resolveu cuidar de carros na rua. O ponto escolhido foi a Rua Mato Grosso (centro), próximo a um hospital.
Organizado, Claudinei mandou confeccionar um colete que o identifica como flanelinha para dar mais respeito e diariamente cumpre a mesma rotina. Saio de casa às 7 horas com a minha marmita e fico cuidando de carros até umas 7 horas da noite, relata. Por dia, ele afirma que conseguia ganhar de R$ 15 a R$ 30.
Indinho conta que, há cerca de um ano, teve de comparecer ao Fórum para uma audiência em que era acusado de desacato à autoridade. Fui lá com a intenção de me apresentar e dizer que eu era fugitivo. Mas na hora não tive coragem e ninguém me perguntou nada, lembra.
Após a audiência, Indinho ainda teve a tranquilidade de ir ao cartório de uma outra vara criminal para pegar informações sobre o processo em que era acusado de roubo. O funcionário do cartório até brincou comigo e perguntou se eu não era o Claudinei, relata. Daí eu disse: você acha que se eu fosse o cara, eu estaria aqui?, acrescenta.
Ontem de manhã, Indinho levantou para mais um dia de trabalho, mas, ao sair de casa, foi surpreendido pelos homens do Serviço Reservado do 5º Batalhão, que estavam com um mandado de prisão. Ele não ofereceu resistência, informa o sargento Antonio Carlos Felix. Indinho jura que não tentará fugir novamente do 2º DP, para onde foi enviado ontem mesmo.
O chefe do departamento de limpeza pública da prefeitura, Delcio Garcia Martins, confirma que Indinho atuou na frente de trabalho. Na primeira vez, ele ficou de janeiro a março de 95 e, depois, de novembro de 96 a abril de 97. Se ele trabalhou por duas vezes na frente, não deve ser má pessoa. Porque sempre fazemos uma avaliação no início e se a pessoa não dá conta do trabalho, é dispensado, observa.


