Até há alguns anos, violência era tema de conversa de paulistano e carioca. Hoje em dia, o assunto é frequente também entre os londrinenses. Toda a família tem uma história para contar. Mesmo quem não tenha sido vítima de um assalto, tem parente ou amigo que passou por uma experiência desagradável.
A neta da dona Luísa foi assaltada duas vezes. Uma amiga dela teve a casa roubada duas vezes. A preocupação cresceu quando um rapaz, que morava no bairro, foi assassinado.
O pior é que dona Luísa trocou São Paulo por Londrina, há 10 anos, justamente pensando em fugir da violência da cidade grande. Deixou na capital paulista as irmãs e veio para o Paraná junto com duas filhas e cinco netos.
Outro dia, no ônibus, Luísa contava essa história para uma vizinha, Cecília, que por sua vez tentava despreocupar a amiga dizendo que a violência em Londrina era coisa de periferia, ligada ao tráfico. ''Na cidade grande, violência é coisa banal, tem todo dia'', falava Cecília.
Enquanto isso, duas mulheres sentadas em um banco próximo também conversavam. Em tom de voz natural, que não passou despercebido por Luísa, uma delas, com seus 40 anos, perguntou:
Você tem um homem?
Também sem rodeios, a outra, aparentando a mesma idade, respondeu:
Tem um homem lá em casa. Você conhece... É aquele que matou um rapaz... Só não sei quanto tempo ele ainda fica por lá...
Luísa desceu do ônibus pensando em banalização do crime e tratou de passar logo em uma imobiliária. Resolveu colocar a casa à venda e voltar para São Paulo.

mockup