Fuga no Ahú causa tiroteios em Curitiba
James Alberti
De Curitiba
Uma fuga de presos do Presídio do Ahú tumultuou as ruas de Curitiba ontem e provocou a morte do soldado José Carlos Villas Boas, 27 anos, que fazia a guarda dos detentos e tentou impedir a fuga. Até as 19 horas, a estimativa era de que 13 presos tinha fugido. Sete haviam sido identificados e três recapturados. A fuga aconteceu por volta das 15 horas e, depois houve troca de tiros entre fugitivos e a polícia em vários pontos da cidade.
Para escapar, os presos usaram um caminhão da empresa Cavo, que fazia a coleta do lixo. Usando uma pistola e uma tesoura de cortar grama, dois detentos renderam o motorista do caminhão, Luiz Vaz Pereira, e dois guardas nenhum agente prisional anda armado. Um dos presos assumiu a direção e lançou o caminhão contra o muro da prisão, abrindo um buraco pelo qual os presos fugiram.
O que surpreende é que a fuga foi planejada e anunciada há um mês. Um funcionário da prisão ouviu que ela iria ocorrer da forma como aconteceu, como uma cena de filme americano. Segundo o major Eloi Antônio dos Reis, da Polícia Militar, a suspeita era de que um caminhão iria invadir o presídio, motivo pelo qual a segurança na parte exterior foi reforçada. Jamais poderíamos imaginar que o inimigo estava do lado de dentro, afirmou. Abatido pela morte do soldado, o major disparou contra a administração do presídio. Faltou perspicácia. Qualquer pessoa com inteligência média podia prever que isso poderia acontecer.
O secretário de Estado da Justiça em exercício, Sílvio Carlos Cavagnari, negou que tenha havido falta da administração. Todos os procedimentos de rotina foram tomados, disse. Para Cavagnari, a fuga foi propiciada graças a arma que estava em poder de um preso. O secretário revelou acreditar num possível envolvimento do motorista do caminhão, que foi detido logo após a fuga. Para Cavagnari, a arma pode ter entrado ontem na prisão, com o motorista. Isso foi um infortúnio que se originou com essa arma.
A fuga provocou medo entre os funcionários do Estado que trabalham com os presos e que foram retirados das galerias, com exceção dos guardas. Os presos que estavam nos pátios e nas oficinas foram trancados em suas celas. Já tinha gente morta e nós lá dentro, reclamou uma professora, que não quis se identificar.
Do lado de fora da prisão, duas caminhonetes Ranger com placas de São Paulo esperavam os detentos. Durante a troca de tiros com a polícia, um dos veículos não funcionou. Dois presos disparam vários tiros contra motoristas que trafegavam pela rua São Luiz e roubaram uma Marajó. Pouco depois, foram recapturados nas proximidades do Shopping Mueller, no centro.
Dos fugitivos, sete estavam trancados nas celas 406 e 602 e serraram as grades para escapar. Como as celas estão na parte superior da prisão, eles fizeram cordas com lençóis para descer até o chão. Um dos presos caiu enquanto descia, ficou ferido e não conseguiu fugir. Muitos detentos trabalhavam na horta da prisão, que fica próxima ao local onde foi aberto o buraco. A administração não sabia quanto deles tinha escapado. Uma contagem era feita no início da noite para saber exatamente quantos presos tinham fugido.Ação foi cinematográfica e resultou na morte de um soldado, mas políci a militar afirma que faltou perspicácia
Mauro FrassonCARGA PESADAOs presos usaram um caminhão de lixo para derrubar o muro. Polícia esperava que o caminhão invadisse o presídio e não que ele saís se de dentro





