Fuga em massa: 52 detentos escapam
Fuga em massa: 52 detentos escapam
Inquérito vai apurar como as armas chegaram até as celas; juiz corregedor diz que cadeia se tornou vulnerável
Valmir Denardin e
Lúcio Flávio Moura
Especial para a Folha
Ney de SouzaInsegurançaFachada da Cadeia Pública de Foz do Iguaçu, onde presos renderam policiais e fugiram ontemCinquenta e dois presos - entre eles seis mulheres - fugiram na manhã de ontem da Cadeia Pública de Foz do Iguaçu.
Usando revólveres calibre 38, os sete líderes da fuga renderam os três policiais militares e o policial civil que faziam a segurança no presídio e os prenderam em uma das celas.
Até as 18 horas de ontem, apenas oito dos fugitivos haviam sido recapturados.
A fuga ocorreu às 7 horas, quando o policial civil subiu à área das celas, localizada no segundo pavimento do prédio, para buscar três presas de confiança (como são conhecidos os detentos que, devido ao bom comportamento, auxiliam nos trabalhos internos da cadeia).
Diariamente, essas detentas ajudam no preparo do café da manhã dos demais presos.
Quando iria descer as escadas, o grupo teria sido rendido pelos sete presos armados.
Segundo a Polícia Civil, os detentos renderam depois os três PMs que faziam a guarda externa da cadeia.
Para a fuga, os líderes roubaram três carros que estavam estacionados no pátio do presídio - dois Gol (um pertence a um dos policiais militares da segurança e o outro a uma transportadora) e um Fiat Prêmio (de propriedade de outro policial militar).
Os demais fugitivos saíram da cadeia a pé. Não houve feridos e nem ocorreram depredações do prédio.
A operação de recaptura envolveu 50 policiais e oito viaturas.
Sete fugitivos foram presos nas imediações da cadeia, localizada no bairro Três Lagoas, na região nordeste de Foz do Iguaçu. O oitavo detento foi capturado à tarde, na região norte da cidade.
A 6ª Subdivisão Policial de Foz do Iguaçu abriu inquérito para apurar as circunstâncias da fuga e, principalmente, como as armas chegaram até as celas.
O delegado-chefe, Luiz Carlos de Oliveira, disse que não há nenhum indício da participação ou de conivência de policiais ou funcionários da cadeia na fuga. Mesmo assim, se confirmarmos alguma coisa nesse sentido, os responsáveis serão afastados, garantiu Oliveira.
Na opinião do delegado, além da falta de segurança, devido ao pequeno número de policiais, a superlotação favorece as fugas.
Com capacidade para 150 presos, a cadeia abrigava ontem, antes da fuga em massa, 320 detentos.
Hoje deverá ocorrer uma reunião entre a Polícia Civil, o Ministério Público e a Associação de Proteção e Assistência Carcerária (Apac) - entidade comunitária que administra a cadeia desde novembro do ano passado -, para estudar formas de evitar novas fugas.
O juiz corregedor dos Presídios, Ruy Muggiati, disse que o órgão abrirá uma sindicância para apurar a fuga. O que se percebe é que a cadeia se tornou vulnerável, disse o juiz à Folha.
Segundo o delegado Luiz Carlos de Oliveira, a última fuga na Cadeia Pública de Foz do Iguaçu ocorreu há três anos.





