Fuga de presos leva pânico a escola
Valmir Denardin
De Curitiba
A fuga de quatro presos do 7º Distrito Policial levou pânico ontem a alunos, professores e funcionários do Colégio Estadual Segismundo Falarz, na Vila Hauer, bairro da região Sul de Curitiba. Escola e delegacia são divididos apenas por um muro. A cadeia foi interditada há três meses pela Vara de Execuções Penais e a Corregedoria dos Presídios por falta de segurança, mas a medida ainda não foi cumprida.
Depois de arrancar o vaso sanitário da cela 11, os detentos escaparam pela tubulação de esgoto, saíram no pátio da delegacia e escalaram o muro de aproximadamente três metros de altura entre os dois prédios. A fuga ocorreu por volta das 12h30. Era intervalo entre os turnos da manhã e da tarde, mas no local estavam três professores, oito funcionários e cerca de 30 estudantes.
A intenção dos fugitivos era alcançar a rua depois de pular o muro externo da escola. O pânico começou no momento em que cerca de 15 policiais civis e militares, atirando, começaram a perseguir os presos, que não estavam armados. Eu estava saindo para ir à casa da minha mãe (a 100 metros da escola), quando dois presos pularam o muro da rua e correram atrás de mim, relatou a professora Terezinha Lima, 43 anos, que leciona para uma turma de 4ª série.
Em meio aos tiros, Terezinha levou, correndo, 15 estudantes, entre 10 e 12 anos, e os protegeu na sala da casa de sua mãe. Não sei como achei forças para correr tanto, afirmou. Outras 25 pessoas entre estudantes e pedestres , se refugiaram em uma papelaria em frente ao portão da escola. Tivemos que fechar as portas para não tomar tiros, contou o funcionário Ivan Pereira de Andrade, 20 anos.
Apesar do pânico, não houve feridos. Os quatro fugitivos foram recapturados na rua. Os muros e o piso da escola ficaram manchados com lama. Roupas encharcadas de barro foram abandonadas pelos presos no pátio e na quadra de esportes da escola.
A direção do colégio suspendeu as aulas do período vespertino. As comemorações da Páscoa e dos 500 anos de descobrimento do Brasil foram canceladas. Em vez dos 500 Anos, tivemos 500 tiros, ironizou a diretora-auxiliar, Maria Marlene Guerreiro Ramos.Fugitivos escaparam pela tubulação de esgoto da delegacia e pularam o muro que a divide do prédio da escola, situada na Vila Hauer
José SuassunaDEPOIS DO SUSTOEstudantes observam roupas sujas de lama que foram abandonadas pelos presos no pátio da escola





