BARBOSA FERRAZ Fuga de presos expõe caos em delegacia Preso diz a juiz que foge quando quer; viatura nova fica na prefeitura e juiz empresta moto para recambiar fugitivo Sid Sauer De Campo Mourão A fuga de quatro presos da cadeia de Barbosa Ferraz (74 km a leste de Campo Mourão), na noite de terça-feira, voltou a expor a precariedade da segurança pública no município. Mesmo sendo sede de comarca, a cidade não tem delegado de carreira e nenhum policial civil. O carcereiro é um funcionário da prefeitura. A nova viatura da Polícia Civil está há um mês na prefeitura esperando uma ‘‘entrega oficial’’. A Polícia Militar é acusada de não cooperar. ‘‘Dá vontade de soltar todos os presos e interditar a cadeia’’, disse ontem, à Folha, por telefone, o juiz José Roberto Silvério. Por enquanto, ele não pretente fechar a delegacia. ‘‘Vai complicar ainda mais para a população’’, justifica. ‘‘Mas se providências não forem tomadas com urgência, não haverá outra saída.’’ Ontem, ele marcou uma reunião com representantes da comunidade para discutir o assunto. Silvério reclama também da falta de cooperação da Polícia Militar. ‘‘A PM diz que a delegacia não é responsabilidade dela e não ajuda em nada’’, disse. Segundo ele, os quatro presos que fugiram terça-feira eram os mais perigosos. Um deles, Roberto Cavalheiro, 26 anos, estava com julgamento marcado para ontem. Chamada para conter a fuga, a PM demorou para chegar porque a viatura estava com defeito no cabo do acelerador. Quarta-feira Silvério presenciou a cena mais patética. Um dos quatro fugitivos – Davi de Almeida Júnior, 19 anos – se apresentou ao Fórum e não tinha como ser levado de volta para a cadeia por falta de viatura da Polícia Civil. O preso acabou recambiado na garupa da motocicleta de um oficial de justiça. Mais: o fugitivo teve que emprestar o capacete do advogado Alfredo Leôncio Dias Neto, que é o representante local da OAB. ‘‘Foi vergonhoso’’, considerou o juiz. Segundo Silvério, o fugitivo que se rendeu contou a ele que, para fugir da cadeia, ‘‘é só querer’’. O comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar de Campo Mourão, major Nélson João Casarolli, disse ontem que as relatos sobre a falta de cooperação da PM são ‘‘preocupantes’’. Ele afirmou que vai segunda-feira à cidade para discutir o assunto e encontrar uma solução. ‘‘Vamos nos reunir com as autoridades e sair de lá com uma posição definida’’, frisou. Ele ressaltou que a polícia tem a obrigação de cooperar com a segurança.