Os pais do garoto Pedro Henrique, de 12 anos, passaram por momentos de desespero devido ao desaparecimento do filho na semana passada. O estudante fugiu quando estava saindo da escola, localizada no Jardim Paraíso (Zona Norte de Londrina), e só foi encontrado pela mãe dois dias depois, na linha férrea do Jardim Ouro Verde, também na Zona Norte.
A operadora de telemarketing Liliane Adolfo Ferreira Serafim, mãe do garoto, garante que ela e o marido já conversaram com o filho sobre o que aconteceu e que o menino está bem. Nesta semana, Pedro Henrique deve começar o acompanhamento com um psicólogo. ''Queremos entender o que aconteceu, por que ele tomou essa atitude por causa de notas. Mas já conversamos bastante e não temos medo que ele fuja novamente'', explicou.
O caso de Pedro Henrique se repete em todo o Estado com mais frequência do que se imagina. Dados do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), da Secretaria de Estado da Segurança Pública, apontam que apenas neste ano 30 crianças fugiram. Geralmente, a maior parte das fugas (49,94%) é motivada por curiosidade infantil, gosto pela aventura e ingenuidade; 40,86% acontecem por medo de punição, violência física e negligência dos responsáveis; e 9,20% são motivadas por outros fatores.
A estatística de desaparecidos e encontrados do Sicride revela que o número de casos solucionados é bastante positivo. Incluindo fuga, sequestro, homicídio e subtração de incapaz, em 2008 foram registrados 83 desaparecimentos e todos foram solucionados. No ano seguinte, dos 46 desaparecimentos, 45 tiveram solução. Já 2010 somou 75 crianças desaparecidas, com 100% de solução; o mesmo ocorreu no ano passado, quando foram registrados 66 desaparecimentos. Com exceção de 2011, nos demais anos, a maioria dos desaparecidos é do sexo masculino.
A delegada-chefe do Sicride, Daniele de Oliveira Serigheli, explica que inicialmente todos os boletins de ocorrência da unidade são de desaparecimento, somente depois das investigações é possível saber se são consequências de crime ou não.
Sinais
A neuropsicóloga Rosimary Lima Guilherme de Oliveira, de Londrina, explica que a criança geralmente dá alguns sinais antes de fugir. ''Quando está planejando, ela modifica o comportamento. Pode ficar mais isolada, agressiva ou inquieta'', exemplifica. De acordo com ela, a fuga é uma consequência de algo que não está indo bem em casa. ''Quando a criança não consegue lidar com isso, pode buscar esta resposta exagerada.''
Rosimary esclarece que impor limites tardiamente pode ser algo problemático para a relação familiar. ''Às vezes, os pais deixam os filhos fazerem o que querem até os 3 ou 4 anos de idade e depois começam a colocar limites, mas a criança acha que é autoritarismo'', ensina. Segundo ela, quanto menos limites forem colocados quando os filhos são pequenos pior será quando ficarem maiores.
Segundo Alex Eduardo Gallo, professor de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e doutor em violência familiar, vários fatores podem motivar a fuga da criança ou do adolescente. ''Geralmente, quem foge é porque tem medo, se sente inseguro ou ameaçado por ser vítima de alguma violência em casa'', afirma.
Entre os tipos de violência familiar, o especialista elenca a física (que é a mais comum), a psicológica (quando há ameaças ou humilhação com palavras que denigrem a imagem da criança), o abuso sexual (principal causa de fuga de meninas) e a negligência (que inclui a falta de diálogo, atenção, afeto e de necessidades básicas).
Para evitar a fuga, os responsáveis pela criança devem ficar sempre atentos para não praticar nenhum tipo de violência. Já se os próprios pais forem os agressores, cabe aos parentes mais próximos alertá-los.

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