Fuga de 44 presos leva terror a bairro
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de fevereiro de 1997
Jossânia Navolar Londrina 
Warren Nabuco
InsegurançaMoradores próximos ao 3º DP, Márcio Lopes, a mulher e o filho, foram rendidos pelos fugitivos em frente à casa: Pensamos que fosse uma briga de gangueQuarenta e quatro presos fugiram no último sábado do 3º Distrito Policial, zona oeste de Londrina. Segundo informação da polícia, a fuga, ocorrida por volta das 20h30, foi facilitada pelo preso de confiança Admilton Ramos de Souza, que passou as chaves das celas e uma arma para os outros detentos. Dos 53 presos mantidos naquela delegacia, nove não quiseram fugir. Os outros saíram em bando pela rua Serra Dois Irmãos, no Jardim Bandeirantes, causando pânico nos moradores da região. Até a noite de ontem, oito presos haviam sido recapturados, juntamente com algumas armas que foram roubadas na hora da fuga.
Quatro dos fugitivos - Ubaldo Domingues, Renato Fernandes, Ademilton Ramos de Souza e Júlio Cesar Ramalho - foram detidos quando chegavam ao município de Tarumã (SP), em um Monza roubado em Londrina. Enilson Rodrigues da Silva foi detido quando tomava um ônibus no Jardim Tóquio, próximo ao Jardim Bandeirantes, onde fica o distrito policial. Admilton Ramos de Souza, o preso que conseguiu as chaves e a arma também já foi recapturado. Até o fechamento desta edição, mais dois fugitivos tinham sido recapturados nas proximidades de Londrina e estavam sendo aguardados para serem reconduzidos à prisão.
O 3º Distrito Policial é considerado um problema pelos moradores do Jardim Bandeirantes. Próximo à uma escola e, numa área residencial, as fugas de presos geram pânico na população. A delegacia tem capacidade para 25 presos, mas estava com mais do que o dobro. O que já é um fator de risco. Também não foi construída para servir como presídio, abrigando elementos de alta periculosidade. O prédio apresenta muitos pontos vulneráveis, segundos os próprios policiais. Só para se ter uma idéia, na última fuga, em dezembro de 96, os presos conseguiram fugir quebrando o telhado.
O investigador encarregado do 3º DP, Valdir Azutini, disse que ninguém sabe como um revólver calibre 38 conseguiu passar pela vigilância e parar nas mãos do preso de confiança Admilton Ramos de Souza. Conforme relatou, Souza aproveitou-se de um descuido do investigador de plantão, Eliseu Martins, e conseguiu pegar as chaves das celas internas, passando-a aos outros presos. O policial Martins só não morreu por Deus. Foi rendido e obrigado a dar passar as armas da delegacia para os presos. Segundo ele, foram entregues aos detentos uma metralhadora, uma escopeta, um revólver e uma pistola. As armas já foram apreendidas pela polícia.
Francisco de Assis, investigador de plantão da 10ª Subdivisão Policial, disse que no momento em que a fuga foi notificada as polícias Civil e Militar colocaram várias equipes trabalhando para localizar os fugitivos. As buscas, comandadas pelo delegado-chefe Leonyl Ribeiro e pelos delegados Wanderci Corral Fernandes (adjunto) e Valdir Abrão (Delegacia de Furtos e Roubos), tiveram ajuda ainda da Polícia Rodoviária, principalmente nos postos das divisas com outros Estados. Dificilmente os fugitivos ficam na cidade, porque eles sabem que assim a recaptura é mais fácil para a polícia, disse.


