Agentes de segurança da Penitenciária Central do Estado (PCE) abortaram domingo a terceira tentativa de fuga do ano no presídio. A fuga deveria ocorrer nos próximos dias, por um túnel de aproximadamente 12 metros de extensão, que ligava a sapataria ao muro que circunda a PCE.
Segundo o chefe de segurança da penitenciária, Cristóvam Almeida, os presos só não haviam fugido ainda porque a Polícia Militar mantém um canil instalado ao lado do muro. Isso exigiria que fossem cavados mais dois metros sob o canil até que o túnel saísse em local seguro.
Ele suspeita que o túnel, com 60 centímetros de diâmetro, vinha sendo escavado há três ou quatro meses, em plena luz do dia, quando 55 presos trabalhavam na sapataria artesanal da PCE. A terra era escondida em balcões da própria sapataria, que serviam para esconder o buraco aberto no piso.
O túnel foi descoberto às 18h30 de domingo, durante uma revista de inspeção na penitenciária. Segundo o chefe de segurança, ‘‘a revista é feita por partes e não é possível inspecionar tudo’’. No túnel foram encontradas ferramentas improvisadas com pedaços de lata e outros materiais.
Ontem, todos os 1.500 internos da PCE permaneceram nas celas, afastados do trabalho. Hoje a maioria das atividades deve voltar ao normal, mas a sapataria permanecerá fechada até que se apure quem estava envolvido na tentativa de fuga. O chefe de segurança acredita que cerca de 30 presos deveriam fugir, entre eles condenados por crimes como homicídio e latrocínio.
A última fuga na PCE ocorreu no final de 1995, quando cinco presos conseguiram escapar pelo muro. Cristóvam Almeida diz que a idade do prédio (inaugurado em 1950) e a superlotação (1.500 presos num local projetado para 550) tornam a penitenciária insegura e vulnerável.

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