Assaltos às lotéricas e bancos, latrocínios e tentativas de homicídios a luz do dia. Esses são alguns exemplos dos crimes que vem ocorrendo em Londrina e assustando a população, apesar da divulgação dos números que apontam a diminuição da violência na cidade, pela polícia civil e militar.
Ontem de manhã, a fuga de presos do 2º Distrito Policial (DP) intensificou o clima de insegurança em Londrina. Pelo menos 24 presos, que estariam no conteiner 2 do sistema de carceragem do DP, localizado no Jardim Espanha (Zona Leste), fugiram na madrugada de ontem. O local tem capacidade para abrigar 120 presos, mas mantinha 340 homens.
O aposentando Nivaldo Silva, morador do bairro há 56 anos, contou que ouviu o barulho de madrugada e ficou muito assustado com a movimentação ao redor do 2º DP, após a ação. ''É claro que a polícia não iria dar conta de manter tanto presos em um local como esse. Convivemos diariamente com este risco. Essa já não é a primeira vez que isso ocorre. Acredito que o distrito deveria ser transferido para um local mais afastado'', opinou.
A diarista Suely Ferreira conta que, apesar de morar no bairro há 37 anos, ainda convive diariamente com o medo por causa do 2º DP. Suely mora com a mãe e a filha em uma rua próxima ao distrito e conta que sempre mantém as luzes acesas e as portas fechadas, assim que começa a escurecer.
''Esses dias, minha filha estava chegando da faculdade de van, quando viu um homem bem estranho parado em frente ao portão de nossa casa. Ela precisou pedir para o motorista esperá-la entrar na casa para ele poder sair. Ela entrou apavorada com medo que fosse algum bandido'', contou Suely.
Morando quase em frente ao 2º DP há oito anos, o técnico de impressoras Paulo Yorinori diz que esse fato não aumenta e nem diminui a sensação de insegurança. ''Não fico com receio, pois quando os presos fogem querem mais é ir pra bem longe daqui. Ao mesmo tempo não me sinto mais seguro por estar perto da polícia porque já arrombaram meu carro duas vezes na garagem de casa e levaram várias ferramentas de trabalho'', conta.
Segundo informações do delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Márcio Amaro, os presidiários serraram uma grade e improvisaram uma 'teresa' (corda de pano) para chegar ao teto, pulando para o lado de fora do 2º DP. A fuga teria ocorrido por volta das 2 horas.
''Nós lamentamos que isto tenha acontecido. A Polícia Civil, infelizmente, tem esse ônus, que é cuidar de uma prisão superlotada'', afirmou o delegado-chefe, complementando que no momento da fuga quatro funcionários da carceragem estavam no prédio. Segundo ele, as câmeras do sistema teriam registrado a ação, que ajudará a elucidar o caso.

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