Frutas e temperos onde só havia mato
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quarta-feira, 20 de maio de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
No lugar no mato, árvores frutíferas, verduras e temperos. Esta tem sido a alternativa encontrada por moradores de diferentes regiões de Londrina para cuidar e ao mesmo tempo tirar proveito de espaços públicos. A medida é elogiada pela Secretaria Municipal de Ambiente (Sema). A única ressalva é em relação às calçadas, que não são adequadas para receber este tipo de planta.
A Avenida da Perseverança, no Jardim Ouro Verde, na Zona Norte, é um exemplo de espaço modificado a partir da atitude de moradores. Cidadãos como o vendedor autônomo Jonas Bussolo, 50 anos, que chegou à Vila Antônio Benzoni Vicentini há uma década e meia.
O acordo entre os vizinhos é o seguinte: cada um cuida da frente de sua casa. Com isso, o terreno do outro lado da rua transformou-se em um espaço de cultivo diversificado. Bananeiras e mangueiras, entre outras plantas, ocupam uma área onde antes o matagal predominava.
Os moradores até pagam um jardineiro para cuidar do terreno periodicamente. A maior preocupação é manter a área limpa e bem cuidada. Uma forma de tornar o bairro um local agradável para se viver. A área fica bonita. A goiabeira, por exemplo, está produzindo faz tempo. O importante é que o terreno esteja bem limpo e não sirva de esconderijo para ninguém, comenta Bussolo.
O que não preocupa o vendedor é a coleta das frutas. Segundo ele, qualquer pessoa pode pegar, o que normalmente ocorre antes mesmo que amadureçam. Bussolo só lamenta a falta de consciência de alguns que, não contentes em apenas levar a fruta, quebram os galhos das árvores.
Na Zona Leste, outro exemplo de desprendimento. No Conjunto Antares, o aposentado Henrique Vicente Filho, 58, transformou um terreno em fonte de frutas, verduras e temperos. E o forte é a variedade: cebolinha, salsinha, almeirão, chuchu, manga, caju, mamão. O espaço de cultivo é cercado por tela. E a área é toda bem cuidada.
Bem diferente de anos atrás, quando o mato imperava, assim como o lixo. Os cuidados do aposentado não se limitam ao terreno na frente da casa dele. Nas proximidades, um campinho de futebol foi adotado por ele e por outros vizinhos, que cuidam do espaço que todos os domingos é palco de animadas partidas.
O único problema apontado por Vicente é o gasto com água para manter a horta e o pomar. Ele defende que as árvores frutíferas sejam plantadas em maior escala, principalmente em áreas reservadas para a construção de praças. Onde tem grandes espaços, tem que ter árvores, ressalta.


