A delegada do 6º Distrito Policial (DP) de Londrina, Valdete Testoni, está investigando a tentativa de entrada de uma arma na Prisão Provisória. A pistola, calibre 6.35, estava embrulhada com jornal e escondida no interior de uma vasilha de plástico com fundo falso, revestido com uma camada de parafina. Sobre a parafina foi colocada uma porção de salsichas. A descoberta ocorreu no sábado, por volta das 18 horas, quando um motoqueiro entregou a encomenda na portaria da prisão. Um agente desconfiou do peso do embrulho e o abriu.
Somente anteontem o fato chegou ao conhecimento da imprensa por intermédio de telefonemas anônimos. Quatro agentes de segurança foram acusados de envolvimento no caso. O diretor da prisão, delegado Eurico Hummig Filho, solicitou a substituição dos agentes José Luis Cartolari, Israel Pereira dos Santos, Acir de Azevedo e Adenilson Garbelini. O pedido foi feito à Secretaria de Justiça e Cidadania, órgão a que estão subordinados.
A denúncia anônima era de que a arma serviria para facilitar a fuga do assaltante Dorival Lima Santos Filho, membro de uma quadrilha que tentou roubar um carregamento de dinheiro no Aeroporto de Londrina, em abril deste ano. A facilitação, conforme denúncias, renderia R$ 12 mil de propina.
Os agentes disseram que a pistola era para o preso Claudino Aurelino dos Santos, 23 anos, conhecido por ‘‘Cabecinha’’, que estava na mesma cela do quadrilheiro. Ele foi ouvido na última terça-feira pela delegada e negou envolvimento no caso.
Na mesma ocasião, ele denunciou os mesmos agentes de favorecimento a determinados presos que, por intermédio de propina, recebiam privilégios no interior da prisão. Entre as suas denúncias consta que o preso, pagando R$ 5,00, tinha o direito de telefonar a quem bem quisesse, através de um celular.
No entanto, no final da manhã de ontem, ‘‘Cabecinha’’ foi novamente trazido ao 6º DP para depor e mudou sua primeira versão, assumindo ter solicitado a comida com a finalidade de facilitar a entrada da pistola na prisão. Este último relato surpreendeu o diretor Hummig e a delegada Testoni. Cabecinha não apontou um motivo lógico para o fato. A delegada adiantou que vai investigar uma versão paralela de que o agente Cartolari, antes da chegada da comida, teria dito na portaria que a encomenda seria para ele.
O delegado Hummig comentou que estranhava o fato de os agentes permitirem a entrada de alimentação aos presos no sábado. ‘‘Isto só é permitido na quarta-feira.’’ Os agentes Cartolani, Israel, Acir e Adenilsom foram denunciados à Secretaria de Justiça pelo juiz corregedor e da Vara de Execuções Penais, Roberto do Vale. Eles são acusados de facilitar a entrada de bebida alcoólica na prisão e de promover baderna, junto com os presos, durante jogos de futebol de salão.Paulo WolfgangPistola estava escondida no fundo falso de uma vasilha de plásticoPaulo Ubiratan

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