A primeira tentativa de acordo entre servidores públicos e o governo estadual não conseguiu por fim à greve geral da categoria, deflagrada na última quinta-feira. A reunião entre o Fórum dos Servidores Públicos Estaduais -que representa os 120 mil funcionários do Estado- e o chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, ontem pela manhã, em Curitiba, durou mais de mais de duas horas e não houve consenso. Como não houve proposta de reajuste salarial, a categoria decidiu manter a greve.
O governo sinalizou apenas com a possibilidade de retirar da Assembléia Legislativa a mensagem 411/00, que trata da contratação de funcionários pelo regime celetista. À tarde, depois de conversar com o governador Jaime Lerner, Guerra informou à Folha que o governo concordou em retirar da Assembléia o projeto. ''Vamos determinar a retirada para uma análise melhor da proposta'', afirmou Guerra.
Sobre o reajuste salarial, Alceni Guerra reafirmou a posição do governo de não conceder qualquer aumento este ano, alegando dificuldades de adaptar-se à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). E afirmou que a proposta salarial do governo será objeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o próximo ano, a ser aprovada na Assembléia.
O Fórum rebateu, apresentando estudos do Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), que mostram que o governo tem condições de conceder reajuste sem descumprir a LRF. Segundo o economista Cid Cordeiro, a arrecadação com ICMS em setembro deste ano teve um aumento de 36,61%. ''Significa que o estado está melhorando seu desempenho e pode estudar estratégias para repassar estes ganhos ao funcionalismo'', disse.
Quanto à suspensão do decreto 4.313, que trata das eleições de diretores, Guerra disse que o assunto será discutido na segunda-feira. Essa também foi uma das exigências da APP-Sindicato para acabar com o movimento grevista.
''Isso é muito pouco para suspender a greve'', avaliou o presidente da APP-Sindicato, Romeu Gomes de Miranda, diante da única proposta apresentada pelo governo.
Ontem, no segundo dia da greve, a APP-Sindicato estimava que a adesão se mantinha em 50% dos professores de toda a rede. Já a Secretaria de Estado da Educação apontou um índice de aproximadamente 10%.

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