Frota pode ser igual a população em 2024
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Um carro para cada habitante. Até parece roteiro de ficção científica mas cálculos feitos pela Sociedade Paranaense de Matemática (SPM) para a FOLHA apontam que, no ritmo atual de crescimento, a frota de veículos poderia se igualar à população do Estado dentro de 14,2 anos. Em Londrina, esta mesma igualdade se daria dentro de menos de 16 anos. O levantamento não inclui outras variáveis envolvidas nesta possibilidade, mas reflete a urgente necessidade de se planejar agora o futuro próximo de forma a garantir mobilidade urbana e qualidade de vida nas médias e grandes cidades.
As contas feitas pelo professor do Departamento de Matemática da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e membro da SPM, Cícero Lopes Frota, consideram a taxa de crescimento da frota de 7,47% de 2009 para 2008, o total de veículos de 4.683.631 e a população de 10.686.247 no final do ano passado, e a taxa de crescimento populacional de 1,40%. Se o ritmo de crescimento se mantivesse constante, a frota se igualaria à população paranaense no início de 2024.
Da mesma forma, ele calculou que, em Londrina, que fechou 2009 com 266.812 veículos (evolução de 5,63%) e uma população estimada em 505.184 habitantes (taxa de crescimento de 1,47%), o total de carros igualaria ao de pessoas dentro de 15,9 anos.
Se analisarmos outros parâmetros envolvendo frota e população, veremos que a situação atual já se aproxima deste cenário futuro. Dividindo toda a população do Paraná pelo total de veículos, temos a relação de 2,28 veículos para cada paranaense. Em Curitiba, essa diferença é ainda menor: 1,60 veículo para cada pessoa. Em Londrina, no final de 2009 havia 1,89 veículo para cada morador.
Nesse cenário, como seriam as cidades e a convivência entre pessoas e máquinas? Que tipo de mobilidade urbana teríamos? Só ruas largas e viadutos dariam fluidez ao tráfego? Quantas mortes ocorreriam no trânsito? Carro continuaria sendo sinônimo de qualidade de vida? Com todos motorizados, qual a serventia do transporte urbano? Estas e outras tantas perguntas permeiam as mentes de quem planeja e analisa o futuro dos sistemas de transporte e de trânsito nas médias e grandes cidades.


