Frota oficial do Paraná vai ser
substituída por carros a álcool
Ambientalista diz que
troca não afetaria
índice de emissão de
poluentes na atmosfera
Guilherme Pupo
Nos próximos cinco anos, toda a frota oficial do Paraná deve ser substituída por veículos movidos a álcool. O projeto de lei que trata do assunto, apresentado pelo deputado Neivo Beraldin (PPB), foi aprovado ontem em última votação na Assembléia Legislativa, em Curitiba.
A principal justificativa da lei, segundo o deputado, é a preocupação com o meio ambiente. ‘‘O álcool é menos poluente que a gasolina e o óleo diesel e a substituição da frota oficial poderá contribuir para a redução nos níveis de poluição atmosférica’’, afirma.
Outro objetivo do projeto, segundo Beraldin, é valorizar a produção de cana-de-açúcar. Atualmente, o setor gera cerca de 70 mil empregos diretos e 200 mil indiretos no Estado.
Segundo o deputado, a lei faz parte do projeto que pretende reativar o Pró-Álcool (programa que incentivou a fabricação de veículos movidos a álcool no País). Neivo Beraldin disse que um projeto semelhante para a substituição da frota do Governo Federal já foi aprovado na comissão de Meio Ambiente do Congresso, e deve ser votado nos próximos dias.
Inconstitucional - Apesar da justificativa de preocupação com a defesa do meio ambiente, o projeto não agradou deputados de oposição e ambientalistas. Para o deputado Florisvaldo ‘‘Rosinha’’ Fier (PT), o projeto é inconstitucional porque gera despesas ao Estado.
‘‘É inegável que o projeto tem um componente de combate à poluição, mas esse tipo de ação não cabe à iniciativa de deputados, e sim ao governador, já que acarreta despesas ao Estado. Além disso, é preciso avaliar se a prioridade atual do governo é a troca da frota ou o desenvolvimento de outras ações de combate à poluição’’, observa.
Outro ponto criticado por Rosinha foi em relação ao tamanho da frota, já que o projeto de Neivo Beraldin não apresenta o número de veículos oficiais do Estado. ‘‘Para avaliar o valor que seria gasto com a substituição da frota, teríamos que saber o tamanho da frota’’, comenta.
Segundo informação do Departamento Estadual de Transporte Oficial (Deto), em dezembro do ano passado a frota oficial era composta por 14.196 veículos, locados e próprios.
Para a ambientalista Teresa Urban, do Fórum Pró Conservação da Natureza, a substituição dos veículos da frota oficial praticamente não afetaria o índice de emissão de poluentes na atmosfera. ‘‘Como o número de veículos é pequeno em relação a toda a frota de veículos que circula no Estado, essa substituição não iria alterar as condições de meio ambiente’’, afirma.
Segundo ela, uma alternativa eficiente para a redução da poluição seria a diminuição do número de veículos nas ruas, por meio de rodízio.

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