Frota municipal está sucateada
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de março de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A frota de veículos oficiais de Londrina anda em marcha lenta e na contramão da necessidade do londrinense. Na oficina da prefeitura (zona sul) o que se vê são máquinas antigas, algumas paradas há mais de um ano à espera de conserto. A culpa, segundo a Secretaria Municipal de Agricultura, é da burocracia legal, que emperra as compras, e dos muitos anos em que a manutenção regular dos veículos deixou de ser feita.
O gerente da oficina da Prefeitura de Londrina, Édson Aparecido Ramos, informou que, entre 2 de janeiro até anteontem, os mecânicos e outros profissionais que trabalham no local já realizaram 344 consertos em veículos da frota. Como a frota municipal é composta por 294 veículos, é possível dizer que alguns veículos foram para o conserto por mais de uma vez.
Sem se identificar, os servidores dizem que fazem o que podem, mas admitem ser muito pouco em comparação com o volume de trabalho que seria necessário para deixar a frota em bom estado de uso. Na oficina, máquinas mais antigas esperam meses, ou mesmo um ano, até serem arrumadas. Por estarem com o prazo de validade vencido faltam peças para reposição.
O ''quebra-galho'' encontrado está sendo a ''reciclagem''. Um exemplo são os pneus, ''que estão sendo usados até a lona'' pois têm vida útil de apenas três meses em sua maioria. Quando é possível, eles são retirados de um e colocados para rodar novamente em outro veículo.
Além disso, outro fator que estaria contribuindo para acelerar o desgaste dos veículos seria a falta de um programa informatizado de controle da frota. Sem isso, a manutenção é feita de forma aleatória e sem planejamento.
A maior parte da frota está vinculada à Secretaria Municipal de Obras. O secretário Aloysio Crescentini de Freitas foi procurado à tarde para falar sobre o assunto mas sua secretária disse que ele estava em reunião. A Folha contatou também o Núcleo de Comunicação, que informou que ele estava participando de uma reunião e não teria condições de atender a reportagem ontem.
Uma parte menor do maquinário fica a serviço da Secretaria Municipal de Agricultura. O titular da pasta, Nilson Ladeia Carvalho, visita constantemente a oficina com a intenção de acelerar o conserto das máquinas para poder colocá-las em ação nos dois mil quilômetros de malha viária da zona rural e distritos. ''Temos uma frota muito velha e sucateada'', admite Ladeia, resultado, segundo ele, da falta de manutenção durante governos municipais passados.
A aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), segundo Ladeia, também deixou mais complexo o processo de compras em nome do maior controle dos gastos e da transparência. Mas a mesma legislação também interferiu no tempo necessário para cumprir o percurso desde a quebra até o conserto. ''Temos que achar meios legais para agilizar o sistema de compras'', afirma o secretário de Agricultura. Ele lembra que máquina parada significa prejuízo.


