Ney de SouzaEsperando clientesAdolescentes fazem ‘‘ponto’’ em rua do centro de Foz: ajudando no orçamento da família Autoridades da fronteira estão se mobilizando para combater a prostituição infantil e o turismo sexual envolvendo adolescentes. A situação mais grave é em Ciudad del Este, no Paraguai, onde 2.440 mulheres estão se prostituindo. Desse total, 67% são menores de idade. A maior dificuldade enfrentada pelo Centro de Direitos Humanos de Foz do Iguaçu, é que boa parte delas são retiradas das ruas, mas acabam voltando porque precisam ajudar no orçamento doméstico.
Desde sexta-feira, o Centro de Direitos Humanos, as polícias Civil, Militar e Federal, autoridades consulares e juízes estão traçando um programa comum de atuação envolvendo as cidades fronteiriças. A meta é atacar os ‘‘quilombos’’ (zona de baixo meretrício no Paraguai) onde há denúncias de menores vivendo em cárcere privado, sendo obrigadas a se prostituir.
Em Foz do Iguaçu, cidade brasileira fronteriça com Argentina e Paraguai, não existem números sobre a prostituição. Uma projeção feita pela Polícia Civil e pelo Centro de Direitos Humanos há dois anos, apontava a existência de 800 a mil mulheres se prostituindo nas ruas da cidade. O Centro estuda a possibilidade de levantar novos números. Boa parte das garotas cadastradas na época eram menores de idade.
O delegado da 6ª SDP, Aprígio Cardoso, participou sexta-feira do Fórum Permanete Contra Exploração, Violência e Prostituição Infantil e mostrou preocupação. Em Foz do Iguaçu, existem 11 boates que ‘‘vendem sexo’’. Cinco delas ficam no centro da cidade. Algumas atendem a domicílio, com cadastro e álbum de fotografia.
Em Ciudad del Este, pelo menos 8% das 2.440 prostitutas cadastradas são brasileiras. Desse total, 67% são menores de idade, segundo a consultora da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância e Juventude) no Paraguai, Luzmarina Acosta.
De acordo com a 10ª Região Sanitária, em Ciudad del Este, pelo menos 90% das garotas prostitutas apresentam sintomas de contágio por doenças sexualmente transmissíveis (leia texto nesta página).
Resgate A partir de um resgate feito no ano passado, o Centro de Direitos Humanos de Foz do Iguaçu e Consulado brasileiro em Ciudad del Este querem chegar a novos casos. Eles conseguiram retirar de um prostíbulo, no dia 31 de julho, a menor C.F. de 13 anos. Ela estava em um ‘‘quilombo’’ em Santa Rita (cerca de 110 quilômetros de Foz).
Também em julho, a menor D.B. 14 anos, morreu num acidente de carro quando voltava de um programa. C.F. e D.B. foram aliciadas em Foz pela cafetina identificada como Célia, com proposta de trabalhar como garçonetes em lanchonetes.
Rapto Autoridades consulares do Brasil ainda investigam o rapto de duas prostitutas de Foz que estariam em Corrientes, na Argentina. A denúncia foi feita por Marcos de Souza, namorado de uma das garotas.
Segundo ele, Jordelina de Souza Valentine, 25 anos, conhecida como Jackeline, e Lúcia Souza, 21 anos, foram raptadas por dois argentinos e uma mulher, supostamente brasileira, quando saía de um bar no centro da cidade, no início de janeiro.
Marcos recebeu informações que elas foram vendidas a uma boate por mil pesos argentinos (cerca de R$ 1.085). Em um bilhete, Jackeline diz que está vivendo em regime de escravidão.

mockup