Ney de SouzaFrentes de trabalhoAs empresas de segurança paraguaias, na maioria das vezes, são mais equipadas e treinadas que as equipes da Polícia Nacional. São acionadas para proteger lojas e casas e em retiradas de sem-terra de fazendas invadidas. Outro serviço bastante procurado é a proteção para pessoas ameaçadas de morte por máfias que atuam na região A crescente atuação do crime organizado e as deficiências das polícias estão provocando um processo de ‘‘privatização’’ informal da segurança na fronteira entre Brasil e Paraguai. Esse fenômeno se reflete no aumento do número de empresas privadas de segurança em Foz do Iguaçu e, principalmente, Ciudad del Este, e no aperfeiçoamento dos métodos de trabalho e no aparelhamento dessas organizações.
Com cerca de 200 mil habitantes, Ciudad del Este - a segunda maior cidade do Paraguai e ‘‘coração econômico’’ do país - possui cinco empresas de segurança privada registradas na Polícia Nacional. A Folha obteve informações não oficiais de que há um número bem maior que esse - entre cinco e oito empresas - atuando de maneira clandestina na cidade. Em Foz do Iguaçu, município com 230 mil habitantes, há outras cinco empresas registradas na Polícia Federal.
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Em muitos casos com melhores equipamentos e treinamento mais aprimorado do que o oferecido pela Polícia Nacional, as empresas de segurança estabelecidas do lado paraguaio da fronteira atuam em diversas frentes, desde a proteção de lojas e casas, até a retirada de sem-terra de fazendas invadidas. Outro serviço promissor para essas empresas é a proteção de pessoas ameaçadas de morte por máfias estrangeiras que atuam na região.
A principal dessas máfias é a chinesa. A organização é acusada de extorquir e matar comerciantes orientais de Ciudad del Este. Segundo a Polícia Nacional, a máfia chinesa ‘‘arrecada’’ com a extorsão, em média, US$ 9 milhões por mês. O volume representa 3,6% do faturamento mensal da cidade, que se aproxima dos US$ 250 milhões. Pelo menos uma dezena de assassinatos ocorridos em Foz e Ciudad del Este é atribuída à máfia chinesa.
Na última semana, a Folha visitou o depósito de um grande empresário oriental de Ciudad del Este, que se recusou a pagar a ‘‘taxa’’ de extorsão da máfia e está ameaçado de morte. O local, que parece uma fortaleza, é guardado durante as 24 horas do dia por um grupo de 14 seguranças, armados com revólveres e escopetas. Há homens até no telhado do barracão. Nas raras vezes em que sai às ruas, o empresário - que gasta cerca de US$ 10 mil por mês com esse serviço - é acompanhado por pelo menos dois seguranças.
Mesmo sem estar sob a ameaça de organizações criminosas, grandes e até pequenos empresários de Ciudad del Este já assimilaram a idéia de que pagar por segurança é uma necessidade e nem questionam mais a obrigação do Estado de proteger os cidadãos.
‘‘Como pagamos, podemos exigir mais da empresa privada do que da Polícia Nacional, que é gratuita, mas tem deficiência de pessoal e está ocupada em coisas ainda mais graves’’, conforma-se Francis Cabrizia de Oliveira, gerente da Financeira Porvenir. Há dois anos, dois seguranças - em turnos individuais de doze horas - protegem a empresa, que fica em uma região pouco habitada da cidade.
Na opinião do ex-tenente-coronel do Exército paraguaio Nelson Garcia de Zu¤iaga, dono da empresa Visión Segurança, a maior do ramo no Paraguai, o aumento dos investimento em segurança privada é uma tendência mundial. ‘‘Os Estados estão restringindo seus gastos com segurança, o que favorece o surgimento de empresas privadas’’, analisa. ‘‘Lá existem 100 mil empresas de segurança’’.

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