Fronteira favorece disseminação da doença
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de junho de 1998
Edna Mendes 
Preocupados com o número de possíveis infectados pelo vírus HIV em Foz do Iguaçu, soropositivos e voluntários criaram o Grupo Iguaçuense Amaravida. A Organização Não-Governamental (Ong) desenvolve ações de apoio aos portadores de Aids e orienta a comunidade sobre maneiras de prevenção.
Segundo estimativas dos integrantes do Amaravida, existem na Cidade cerca de 10 mil soropositivos. Desse total, apenas 260 estariam recebendo assistência médica e psicológica. O grupo sustenta que a localização de Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai e Argentina - um dos principais corredores do tráfico internacional de drogas e um dos locais do Estado onde circula grande fluxo de pessoas de várias regiões do País e de todo o mundo - contribui para o aumento da doença.
A facilidade de se conseguir drogas e a promiscuidade existentes aqui, por se tratar de uma cidade de grande circulação de turistas e compristas, tem muita influência na disseminação da doença, acredita o presidente do Amaravida, Alenor Alves dos Santos, 32 anos.
Segundo ele, o grupo tem a função de dar apoio aos soropositivos, principalmente daqueles que sofrem preconceitos da sociedade e da família. O apoio é fundamental, principalmente, no momento em que a pessoa fica sabendo que tem Aids, frisa Santos.
De acordo com ele, uma das grandes dificuldades nos trabalhos de prevenção é conscientizar as mulheres casadas. A inexistência de diálogo entre os casais faz com que cada vez mais as mulheres casadas acabem se contaminando. Elas não têm coragem de pedir para o marido usar preservativo, diz.
O Amaravida não é um grupo específico de soropositivos, qualquer pessoa pode integrar a Ong e trabalhar como voluntário. Os interessados em fazer parte são cadastrados e treinados. Nos próximos dias, o Amaravida vai implantar em Foz o projeto Arca de Noé, criado pelo grupo Dignidade, de Curitiba, que vai levar orientação de prevenção nos pontos onda atuam prostitutas, travestis e garotos de programa. Os integrantes pretendem também distribuir preservativos.
Entre os projetos futuros do grupo está a criação de uma casa de apoio aos portadores do HIV. O Amaravida pretende ainda realizar shows artísticos para arrecadar fundos que serão aplicados em programas assistências desenvolvidos pela Ong. Durante os shows, o grupo fará orientações de prevenção da Aids.
A rede pública de saúde também é outro alvo do grupo. Muitos profissionais de saúde não sabem como tratar um soropositivo. Além do preconceito, existe também muito desinformação no tratamento da Aids. O preconceito muitas vezes está na própria classe médica, afirma Natalino da Silva, 29 anos, integrante do Amaravida.
Por ainda não ter sede própria, o grupo Amaravida se reúne todos os sábados, às 16 horas, na sede do Núcleo de Ação Solidária à Aids (Nasa), na Avenida Brasil, 1.221, sala A.


