Os abrigos destinados à população de rua, em Londrina, já sentiram os efeitos da chegada do frio. A Casa do Bom Samaritano e a Toca de Assis (unidade de triagem), por exemplo, aumentaram o número de acolhimentos desde o início de abril.
A Casa do Bom Samaritano é um dos quatro abrigos que recebem verba da prefeitura (incluem-se uma unidade do S.O.S e duas do Pão da Vida). Segundo a coordenadora Nadir Burgo Salvalagio, a quantidade de pessoas atendidas diariamente passou de 40 a 50 até final de março para 76 nos últimos dias. Elas chegam com as equipes do (projeto) Sinal Verde e ali tomam banho, comem e dormem. ''Temos 45 leitos (masculinas e femininas) disponíveis, mas alguns não ficam por discordarem das regras (proibição do uso de álcool, fumo e drogas no local). Aqueles que chegam bêbados ou drogados e - ainda assim - querem entrar, ficam lá fora até voltarem à sobriedade'', comentou.
Para se manter em funcionamento, esta entidade filantrópica depende também de promoções e doações. Mas, há cerca de dois meses, ela não recebe um quilo de alimento sequer. ''No último dia 28, comprei 60 quilos de feijão e hoje (ontem) tenho que comprar mais para o jantar'', acrescentou Nadir, que aposta no bom resultado do chá beneficente, agendado pela Paróquia Rainha do Universo, para o próximo dia 08.
Neste período, a Pastoral de Rua, da Toca de Assis, também registrou um decréscimo nas abordagens. ''Cresceu o número de moradores em nossas casas. São pessoas debilitadas, física e psicologicamente, que precisam de auxílio'', informou o guardião Camilo Maria.
Conforme Sandra Coelho, gerente dos serviços de Média Complexidade da Secretaria Municipal de Assistência Social, esta mudança era esperada. ''No frio, o número de pessoas que perambulam nas ruas é menor. Por outro lado, a quantidade que aceita o encaminhamento ao abrigo é maior. Isso ocorre - somente - depois de esgotarmos todas as possibilidades de retorno à família, que serão retomadas, futuramente, por nossas equipes'', explicou. A Operação Noite Fria, que congrega forças da Polícia Militar, Sinal Verde, Conselho Tutelar, abrigos e Provopar, começou há mais de 20 dias.
Paralelamente ao trabalho dos albergues, o Provopar organiza a Campanha do Agasalho, que será lançada na segunda quinzena de maio e permanecerá até o final de julho. Em 2007, a prefeitura e parceiros arrecadaram 114 mil itens, entre roupas, cobertores, agasalhos, calçados e alimentos, doados a cerca de 11 mil famílias carentes. Elas estão cadastradas nas entidades assistenciais, igrejas, creches, asilos, abrigos e Centros de Referência de Assistência Social (CRASs) espalhados pela cidade. Para Tânia Maria Pereira, gerente administrativa do Provopar, o objetivo é arrecadar, no mínimo, o mesmo volume de doações obtidas ano passado.

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