Frio exige mais cuidados com a asma
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segunda-feira, 04 de junho de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A chegada antecipada do frio significa uma preocupação extra para os portadores de asma brônquica, doença mais conhecida como bronquite asmática. As temperaturas baixas quase sempre chegam acompanhadas de uma piora nos sintomas, como aconteceu com a jovem Angélica Dino da Silva, de 23 anos. Na madrugada de sexta-feira, depois de passar mal quatro vezes nos dias anteriores por causa das crises, ela não resistiu e faleceu a caminho do hospital.
A irmã de Angélica, Priscila Dino da Silva, contou que apesar do mal-estar, a jovem preferiu não chamar ninguém da família. ''Quando acordei, ela estava ligando para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). A ambulância demorou, e quando chegou, não tinha médico nem balão de oxigênio. Ela morreu no meu colo'', relatou Priscila.
A gerente do Samu, Rosângela Libanori, informou que o atendimento à paciente foi feito em 14 minutos, tempo necessário para o trajeto até a Zona Sul, onde se localiza a residência da família. ''O médico que atendeu a ligação avaliou que o transporte poderia ser feito por ambulância comum, visto que era um caso de crise asmática moderada, tanto que ela entrou andando no veículo.'' Pouco depois de entrar na ambulância, porém, a jovem teve uma insuficiência aguda.
Segundo o médico alergista Luiz Alberto Scripes, do Departamento de Alergia da Associação Médica de Londrina, a doença é causada pela inflamação crônica das vias aéreas, acompanhada da contração dos músculos que envolvem os brônquios, causando falta de ar, chiado e tosse crônica. Ele lembra que a asma ainda é vista com preconceito por existir a falsa idéia de que é a forma mais grave da bronquite. ''De 8 a 10% da população brasileira têm a doença, mas poucas pessoas procuram ajuda médica no momento oportuno ou fazem o tratamento corretamente, com médico especialista. Entre os portadores, cerca de 10% têm a forma crônica, que pode se tornar mais grave.''
Um comportamento comum entre os pacientes, explica o médico, é a não valorização dos sintomas. ''As pessoas se acostumam com os sinais da doença e não percebem que eles vão se intensificando lentamente, até atingirem um grau de difícil controle. Elas sempre acham que vão superar a crise, e com isso a inflamação vai aumentando'', observa Scripes.
O médico ressalta ainda que os pacientes confiam demais nos medicamentos sintomáticos, broncodilatores que provocam alívio imediato dos sintomas, como as bombinhas e inalações. ''É muito importante, porém, tratar a causa, e não só os sintomas. O tratamento deve ser preventivo e feito entre as crises. Quanto mais asma a pessoa tem, mais asma ela terá.'' No inverno os sintomas pioram porque os ambientes fechados e úmidos favorecem a reprodução dos ácaros, o ar frio resseca e irrita a mucosa dos brônquios e as infecções virais e bacterianas são mais constantes, causando a inflamação dos brônquios e piorando o quadro de asma.
SERVIÇO
Cuidados para evitar que a doença se agrave
- Fazer atividades físicas ao ar livre
- Se precaver contra infecções, utilizando as vacinas disponíveis
- Manter os ambientes internos limpos e aquecidos
- Evitar aglomerações onde possa ocorrer transmissão de vírus e bactérias
- Evitar correntes de ar e não se expor a mudanças climáticas extremas
- Procurar ajuda médica para controle da doença e não apenas dos sintomas
Fonte: médico alergista Luiz Alberto Scripes


