Frio castiga quem acorda cedo
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de julho de 2000
Erika Wandembruck Especial para a Folha De Curitiba 
O inverno deste ano, que é o mais rigoroso desde 1994, está castigando os profissionais que acordam de madrugada e pegam cedo no batente. Aqueles que trabalham expostos ao tempo também estão sofrendo com as baixas temperaturas registradas em Curitiba. Varredores de rua, cobradores de ônibus e faxineiros estão entre as profissões geladas.
É o exemplo do cobrador Feliciano Cruz, 30 anos, que acorda todo dia às 4 horas para ingressar no serviço às 5 horas. Cruz, que trabalha há dois anos e meio na estação-tubo do Ligeirinho Santa Clara,bairro Juvevê, nunca sentiu tanto frio como nos últimos dias. De madrugada é pior. Não há roupa que chegue. Como o tubo é aberto, não há como se aquecer, pois o vento bate de frente, desabafou. O cobrador recebe R$ 360,00 por mês. Quando ele foi entrevistado pela reportagem da Folha, ontem às 6h30, os termômetros marcavam 2 graus negativos.
Os mais de 150 varredores de rua de Curitiba, que se alternam nos três turnos, também sentem bastante frio. Meus pés estão congelados. Para me aquecer coloquei duas calças, duas blusas de lã, cachecol e gorro e, mesmo assim, estou com frio, disse a gari Ciça Caboclo, 46 anos, que exerce a função há 13 anos. Eu tenho dó dos 22 garis que estão fazendo o horário das 22 horas às 5h30. Nem varrendo eles conseguem se aquecer, comentou.
Enquanto os personagens destas profissões geladas quase morrem de frio, os funcionários de frigorífico Edivaldo de Assis, 35 anos, e Jair Palhares, 30 anos, não sofrem ao desempenhar suas funções em dias de baixa temperatura. Isso porque eles entram várias vezes por dia nas câmeras frigoríficas , cuja temperatura é de 20 graus negativos. Quando está calor é pior porque ocorre um choque térmico. Como a temperatura ambiente está baixa, quando entramos na câmera nem sentimos frio, afirmou Assis.


