Frio aumenta possibilidade de acidentes com aquecedores
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quinta-feira, 21 de julho de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Nos últimos cinco anos, 28 pessoas morreram na Capital, vítimas de intoxicação por monóxido de carbono, na tentativa de se aquecer. Desde o início de julho, 57 incêndios e princípios de incêndio em edificações na região de Curitiba já foram atendidos pelo Corpo de Bombeiros. Desses, dez aconteceram apenas no último final de semana. E na região de Londrina, só em julho o número de atendimentos dessa natureza chegou a 21.
Os incêndios passam a preocupar ainda mais no inverno, de acordo com o tenente Eduardo Gomes Pinheiro, relações públicas do Corpo de Bombeiros no Paraná. Nessa época, além dos acidentes relacionados ao mal uso das instalações elétricas e do gás de cozinha, as duas principais causas de incêndios, a tentativa de se aquecer resulta em muitas ocorrências.
Um dos maiores riscos é a intoxicação por inalação do monóxido de carbono. Neste ano, não houve nenhum registro de morte por esse motivo. No ano passado, apenas nos primeiros dias de frio, quatro pessoas foram atendidas em Curitiba, sendo que duas morreram. Pinheiro explica que tanto o gás de cozinha como o natural têm cheiro. Já o monóxido de carbono, que é um gás decorrente da combustão desses dois gases, é inodoro e incolor, matando as pessoas sem que percebam. ''Quando a chama fica amarela é sinal de que já está produzindo o monóxido'' explica.
Ao ser intoxicada pelo monóxido, a pessoa normalmente não sente nada. Algumas têm sintomas parecidos com o da gripe, como dor de cabeça, cansaço. ''Por isso que às vezes ficamos sabendo de pessoas que morreram intoxicadas na cama. No ano passado, por exemplo, um homem que morava sozinho morreu na cama, com o aquecedor ligado, em um prédio na rua Padre Anchieta. O que acontece é que normalmente o aquecedor está no banheiro, vazando'', diz. A morte acontece porque a pessoa passa a inalar apenas o monóxido de carbono, sem receber mais o oxigênio necessário para o funcionamento do cérebro.
A intoxicação por monóxido pode ter como causa um aquecedor à gás mal regulado, mas o maior problema é a instalação do aparelho em locais sem a ventilação adequada. Instalar aquecedor no banheiro ou no quarto é o maior erro. A recomendação é que o aquecedor seja instalado em área de serviço com área acima de 16 metros quadrados e sem comunicação direta com o banheiro ou quarto. Não adianta o local ter apenas uma janela para ventilação.
O engenheiro Marcos Gabriel Pereira Bueno, do Instituto de Criminalística do Paraná, alerta ainda para outras causas comuns de incêndios no inverno. Uma delas é o posicionamento incorreto do aquecedor elétrico, que não deve ficar próximo a cortinas, roupas ou outros materiais. Outro problema são as pessoas que resolvem atear fogo, dentro de casa, em latinhas com álcool ou carvão. Nesse caso, o risco é triplo: de incêndio, intoxicação pela inalação do monóxido de carbono e de queimaduras.


