O proprietário do frigorífico Frigozé, Natel Gomes de Oliveira, deve R$ 592 mil de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e R$ 25 mil de Imposto Sobre Serviço (ISS) à Prefeitura de Londrina. A informação foi passada pelo secretário municipal de Fazenda Francisco Simões, durante audiência pública realizada ontem na Câmara dos Vereadores. A audiência, solicitada pelo Centro de Direitos Humanos (CDH), debateu a reativação do frigorífico e foi coordenada pelos vereadores Elza Correia (PMDB) e Tercílio Turini (PSDB).
O secretário de Fazenda surpreendeu os representantes de órgãos públicos e associções de moradores. Simões aproveitou a oportunidade para cobrar o ex-delegado Natel, dono do empreendimento.
‘‘Esperamos que ele compareça para pagar ou parcelar’’, disse o secretário, que foi ovacionado por cerca de 80 pessoas que ocuparam as galerias, contrárias à reabertura da empresa. Aproximadamente 40 pessoas se manifestaram em favor do frigorífico.
A concessão de alvarás e licenciamentos causou polêmica e gerou algum desconforto. ‘‘A Secretaria de Obras forneceu alvará porque o proprietário apresentou licença de outros órgãos’’, explicou o secretário José Righi de Oliveira.
Andrew Pinheiro Neto, diretor regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), argumentou: ‘‘Aprovamos porque foi apresentado um projeto viável. Mas não foi concedida licença operacional.’’
O Frigozé – que encerrou as atividades em 89, por conta de problemas fiscais – necessita de liberação final expedida pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), ligado ao Ministério da Agricultura e Abastecimento para se reestabelecer.
José Joarez Santana, chefe do escritório regional do ministério, enumerou 15 itens a serem revistos pelo proprietário da empresa. Cobertura de cimento amianto, inadequada para a sala de desossa, foi um dos problemas constatados pelos fiscais.
Os problemas estruturais, na opinião de Ulisses Moreira, 42 anos, morador do Jardim Santa Mônica, são menores do que o mau cheiro e as moscas. ‘‘O dono poderia lotear o terreno e vender, porque aqui é bairro residencial’’, sugeriu. Da favela Cantinho do Céu veio Maria Lúcia Valinsi, 22 anos, grávida, para integrar o grupo pró-frigrorífico. ‘‘Vou sustentar meus filhos com o emprego que o Frigozé vai gerar’’, defendeu.
Na avaliação do vereador Tercílio Turnini, a comunidade deu uma lição de cidadania. ‘‘Cabe a nós, vereadores, proporciarmos oportunidades como essa.’’ Os órgãos partipantes do debate, segundo Turini, vão analisar os fatos apresentados, mas ele acredita que o empreendimento é inviável. ‘‘Fere a Lei Orgânica do Município’’, resumiu.
A Folha não conseguiu entrar em contato com o proprietário do Frigozé.

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