Moradores do Jardim Santa Mônica (zona norte de Londrina) estão mobilizados contra a reativação do frigorífico Frigozé, que deve funcionar a partir de janeiro. A associação de moradores do bairro argumenta que o código sanitário do Estado impede o funcionamento de frigoríficos dentro do perímetro urbano. O frigorífico, que está desativado há cerca de 13 anos devido a problemas com o Fisco e dívidas trabalhistas, fica em um fundo de vale, às margens do Ribeirão Quati. O ribeirão deságua no Rio Jacutinga, que abastece a população de Ibiporã (14 km a leste de Londrina).
O advogado Jorge Custódio Ferreira, do Centro de Direitos Humanos de Londrina e orador da associação dos moradores, informou que há mais de um ano o grupo encaminhou à Ouvidoria Geral do Estado um abaixo-assinado com mais de 300 nomes. O documento foi encaminhado pela Ouvidoria ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) que, ‘‘oportunamente tomaria as providências’’. Custódio está estudando o caso, mas já adiantou que, ‘‘do ponto de vista ambiental o frigorífico não pode funcionar em área urbana’’.
De acordo com Márcio dos Santos Carvalho, gerente de concessões e atividades econômicas da Prefeitura de Londrina, o frigorífico obteve alvará de licença, por ter apresentado a documentação exigida. Carvalho garantiu que o proprietário da empresa, Natel Gomes de Oliveira, tem laudo do IAP e Corpo de Bombeiros, além de licença sanitária.
Segundo Carvalho, o frigorífico está instalado dentro da ‘‘Zona Comercial 5, que abrange desde o Jardim Leonor até o Parque das Indústrias Leves’’, inclusive tendo como área de acesso a BR-369. Carvalho informou ainda que o Município emite alvarás mediante o pagamento de três taxas e avaliação das normas de segurança. Contudo, o alvará pode ser suspenso ‘‘por falta de pagamento e comprovação de irregularidades’’, completou Carvalho.
Teresa Fedrigo, que mora perto do frigorífico, disse ontem que durante os anos de funcionamento da unidade o mau cheiro e as moscas proliferavam dentro das casas, causando problemas de saúde. Outra moradora, Lenice Pozenato, reclamou do barulho durante a madrugada. ‘‘Os animais berravam dia e noite. Os caminhões de carga também incomodavam bastante.’’
Conforme declarações de Andrew Pinheiro Neto, chefe do escritório do IAP em Londrina, o instituto elabororou parecer técnico para o funcionamento do Frigozé. Porém, se o ‘‘corpo receptor (o ribeirão) for poluído ou se houver outro tipo de agressão ao meio ambiente, o licenciamento será revisto’’, complementou.

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