Os 294 funcionários remanescentes do frigorífico de Cascavel do grupo Chapecó (com sede em Santa Catarina) foram comunicados ontem que não mais voltarão ao trabalho, depois de terem permanecido em casa desde o início do ano, inicialmente recebendo sem trabalhar, e nos últimos três meses sem nada receber. A comunicação foi feita pelo superintendente da empresa, Genésio Garbin, durante assembléia do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação de Cascavel, que representa os funcionários.
A demissão agrava problemas sociais gerados pela Chapecó, em crise financeira há três anos e em concordata desde o início do mês. A empresa já havia demitido 700 funcionários em Cascavel no ano passado, e deixou de receber a produção de 450 avicultores, depois de tê-los estimulado a buscar financiamentos bancários para implantar aviários, agora inativos, o que resulta na perda da principal fonte de renda para as famílias. Parte dos avicultores está acampada há 4 meses no prédio onde funcionava a administração da empresa.
Os funcionários acompanhavam a situação dos avicultores na expectativa de que passariam a viver o mesmo drama, o que se concretizou com o atraso dos salários (em média, R$ 250,00) dos últimos três meses. Na terça-feira, eles ocuparam a representação do Ministério do Trabalho, exigindo sua intervenção, e a partir disto foi marcada a assembléia de ontem, para uma definição. O superintendente Genésio Garbin esteve em Chapecó (SC), na sede da empresa, e retornou com o anúncio da demissão coletiva.
Garbin disse que a empresa não tem como pagar imediatamente o que deve aos funcionários - cerca de R$ 600 mil -, e apresentou uma proposta de escalonamento dos débitos, ao longo de 10 meses. Na assembléia, presidida por Valdevino Pereira de Oliveira, presidente do sindicato, os trabalhadores aprovaram o escalonamento, ‘‘porque não havia outra alternativa’’. Para o advogado Euclides Panassolo, que representa o sindicato, o acordo ‘‘não é o adequado mas é o que sobra, porque a discussão judicial se arrastaria por anos’’.
A empresa se comprometeu também a liberar imediatamente as carteiras profissionais para que os funcionários possam tentar outros empregos, e guias para retirada de FGTS e seguro-desemprego. A Chapecó não descontará o tempo em que eles permaneceram em casa sem trabalhar. O acordo foi comunicado ontem à tarde ao juiz Sebastião Teodoro da Silva, diretor das Juntas da Justiça do Trabalho, e, se houver concordância do magistrado, poderá ser formalizado em 20 dias, segundo estimou Euclides Panassolo.

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