Céu azul, clima ameno, julho, mês de férias escolares. Nem a tarde bonita de quinta-feira animou os londrinenses que moram nas vilas Portuguesa, Recreio e Casoni, a frequentar a maior área de lazer da região.
Na última hora da tarde, poucos faziam caminhadas. Apenas um dos quatro campos de futebol estava sendo utilizado, por times mistos de adolescentes. Deslocados, outros jovens de boné conversavam sob olhares desconfiados de quem passava.
Alguns sem-teto aproveitavam a falta de movimento e se escondiam entre as árvores para beber. Outros se abrigavam na cancha de bocha para fumar maconha. Mas havia quem estivesse no local somente em busca de bem-estar e nada mais. Usavam bancos e escadarias para um banho de sol.
Um deles era o servente de pedreiro desempregado Marco Machado da Silva, 39 anos. ''Tão falando que vão dar um jeito nisto aqui mas até agora nada'', disse, cético. Morador há mais de 30 anos na Vila Recreio, Silva diz que mesmo no final de semana se vê pouca gente no local. ''Os que vêm é para jogar bola'', resume. O desempregado enumera algumas sugestões para melhorar o CSU: cercar os campos, reformar a quadra poliesportiva, fazer um vestiário.
As irmãs Luciane Cristina, 18 anos, e Vânia Fernanda Machado, 16, ambas estudantes, acham que a medida mais importante para tornar o lugar mais frequentado é a realização de eventos, principalmente à noite e nos finais de semana. ''Hoje em dia é uma escuridão só. Fica um deserto quando escurece'', lembra a irmã mais velha.
Luciane, que às vezes escolhe o CSU para que ninguém a incomode quando está fazendo crochê, sugere algo inusitado: usar a ampla área de gramado para a realização de festas raves. Nas tardes de sábado e domingo, a sugestão é montar shows que atraiam jovens para a área. ''O Centro Social poderia muito bem se transformar em um Zerão (área de lazer no centro da cidade)'', compara.
A empregada doméstica Denise Aparecida do Prado, 29, tem preocupações de mãe. Anda proibindo seu filho de 10 anos de frequentar o local. ''Ele mesmo não vem porque fica com medo de roubarem a bicicleta dele'', conta. ''Tudo mundo fala que tem tráfico à luz do dia. Eu mesmo não tenho coragem de caminhar depois que escurece. Quando se vê, tem alguém fumando maconha do seu lado. É preciso melhorar o policiamento'', sugere.
Com um saco às costas, à moda dos andarilhos, o trabalhador rural Maurílio Militão Diogo, 42 anos, conta a história não-oficial de uma transformação que parecia bem mais difícil do que a pretendida para os próximos meses.
Ele é de Leópolis e está em Londrina para tratamento médico. Está pernoitando no albergue da Vila Nova e decidiu se abrigar nas escadarias do CSU enquanto a noite não chega. Fuma um cigarro de palha e relembra: ''Morei na Vila Portuguesa de 1970 a 78. Trabalhava na Sanepar. Ajudei a aterrar tudo isso. Era um alagadão. A água batia no joelho. Nem dá para acreditar que virou isso aqui'', relata.

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