Frequentadores de praça são fichados
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sexta-feira, 23 de outubro de 1998
Sid Sauer 
O Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente de Campo Mourão cadastrou 42 pessoas que estavam paradas anteontem à tarde na Praça Getúlio Vargas, no centro da cidade. O cadastramento foi acompanhado pela Polícia Militar e faz parte de uma ação em conjunto iniciada esta semana para tentar coibir os pontos de prostituição existentes na cidade. Essas pessoas foram cadastradas em apenas uma hora de serviço, diz a responsável pelo Conselho Tutelar, Marisa Eliete do Nascimento. A prefeitura e a Polícia Civil também participam da ação em conjunto.
Entre as 42 pessoas cadastradas, nove eram adolescentes entre 13 e 17 anos. Os cadastrados não estão, necessariamente, envolvidos com a prostituição, explica Marisa. Eles apenas estavam parados na praça e vão ter que se explicar se forem vistos constantemente no local. Marisa, no entanto, foi surpreendida ao abordar a menor N.L., de 17 anos. Estou me prostituindo sim. Não é isso que você quer saber?, disse a menor ao responder o que estava fazendo parada na praça à tarde. Este, porém, foi o único caso de confissão.
Vamos continuar com o trabalho, avisa Marisa. Além da Praça Getúlio Vargas, o cadastramento também vai percorrer outros pontos em outros horários. Temos informação de alguns pontos de prostituição, à noite, em postos de gasolina nas saídas da cidade, revelou. A lista dos menores cadastrados também será enviada ao Juizado da Família. Além disso, o Conselho vai pedir a ajuda dos comissários de menores para intensificar a fiscalização nos pontos suspeitos. Ontem, nenhum dos cadastrados foi visto novamente na praça.
O Conselho Tutelar de Campo Mourão já trabalha desde o início do ano com o caso de uma menor de 11 anos que se prostitui num bairro da cidade. A informação chegou ao conselho através de denúncias de mulheres que acusaram a menor de estar saindo com os maridos delas. A menina não estuda e o pai admite ter medo de sofrer represálias se impedir a filha de sair de casa. Vamos tentar internar essa menina num abrigo, diz Marisa.
A ação contra a prostituição em Campo Mourão começou devido às reclamações de moradores contra as cenas de sexo que estariam acontecendo em vários pontos do centro da cidade em pleno dia. Um grupo de moradores chegou a preparar um abaixo-assinado com 70 assinaturas para denunciar o caso à promotoria pública. A prefeitura admite que o número de prostitutas e homossexuais cresceu muito nos últimos meses.


