O sonho de trabalhar em um escritório, em frente a um computador, está menos distante para a auxiliar de serviços gerais da prefeitura de Londrina, Dirce de Souza Dutra, 53 anos. Preocupada com o fim das frentes de trabalho, previsto pelo Ministério Público para 2004 e que empregam atualmente 800 pessoas no serviço público, Dirce se inscreveu no curso básico de informática, que está sendo realizado pela Plataforma Londrina de Tecnologia da Informação (Platin), um dos braços do projeto Londrina Tecnópolis. ''Com este curso, poderá surgir uma oportunidade melhor para minha vida'', planeja ela, que sustenta junto com o marido e a filha cinco pessoas na família.
Com força redobrada, ela ouviu atentamente a primeira aula do professor Daniel Venega, acadêmico do segundo período de Processamento de Dados do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), na sede da Associação do Desenvolvimento Tecnológico (Adetec), anteontem à tarde, antes de enfrentar o trabalho, das 17 horas às 22 horas, no prédio da prefeitura. Ela não perde a fé de conseguir um emprego, já ao término do curso de 56 horas, daqui a cinco semanas.
Venega é um dos 19 universitários bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), das seis universidades de Londrina, que ministram as aulas do programa para popularizar a informática na cidade. ''Queremos nos tornar um centro de excelência em tecnologia da informação até 2010'', defende o gerente-geral da Platin, Sergio Akio Tanaka. Este ano foram investidos pela Financiadora de Estudo e Pesquisa (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia, R$ 356 mil, o equivalente ao montante de 2001, em 20 projetos do plano de desenvolvimento tecnológico para Londrina.
Antes de pegar a vassoura, varrer e limpar as mesas das salas de diferentes secretarias, a auxiliar de serviços gerais estuda introdução à informática, uso do sistema operacional Windows e aplicativos, como processador de textos e planilha, além da internet. Assim como ela, outros 53 alunos participam do curso. ''Tem desde varredor de rua e merendeira até auxiliar administrativo'', afirma o diretor de Gestão de Pessoas, Paulo César Ramos, da Secretaria Municipal de Gestão Pública.
Ao todo, foram disponibilizadas gratuitamente 54 vagas aos funcionários das frentes de trabalho que possuíam até a 5 série do Ensino Fundamental. ''A escolaridade foi a única exigência, com exceção da preferência na ordem de inscrição'', destaca o diretor.
São duas horas de aula por dia, de segunda a sexta-feira. São três turmas, com 18 alunos cada uma. Conforme Ramos, eles estão assistindo as aulas fora do horário do trabalho, ou dependendo de cada caso, mediante negociação de reposição de horas trabalhadas com a chefia.
De acordo com Ramos, a equipe das frentes reivindica uma melhor preparação para o mercado de trabalho. ''Eles consideram a possibilidade de desligamento e de uma melhor colocação no mercado'', reconhece Ramos. No ano que vem, a secretaria pretende abrir vagas no mesmo curso para quem ainda não completou o Ensino Fundamental.

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