Qualquer roubo é lamentável, mas quando as vítimas são freiras e o local do crime é um santuário religioso, fica a impressão de que a violência ultrapassou todos os limites. Aconteceu em Londrina, anteontem à noite. Irmãs claretianas do Santuário Eucarístico, na Avenida Madre Leônia Milito (Zona Sul), passaram três horas em poder de assaltantes e mais uma hora trancadas dentro de uma sala.
Uma das religiosas, que pediu para não ser identificada, recebeu a reportagem da Folha com lágrimas ontem pela manhã. Com um misto de medo e tristeza, a irmã contou que chegou ao Lar Santo Antônio uma das entidades mantidas no santuário por volta das 20 horas e foi empurrada para dentro da sala por dois homens armados e encapuzados. Ela e outras duas freiras que residem no local, uma delas paraplégica, foram rendidas junto com uma órfã de 45 anos, portadora de necessidades especiais que vive sob o cuidado das religiosas.
Durante três horas, os assaltantes reviraram todos os cômodos e fizeram ameaças de morte. O telefone foi cortado. A órfã tentou reagir, levou uma coronhada de revólver e teve as mãos amarradas com um guardanapo. Outro momento crítico foi quando um dos criminosos disse que a irmã estaria escondendo dinheiro e ordenou que seu comparsa buscasse uma faca na cozinha. Ela ressaltou que tentou manter a calma o tempo todo.
''Eu tenho uma convicção: a pessoa só te faz algum mal se você olhar para ela com agressividade. Então é melhor você se destituir da raiva, do ódio. Um deles me falou que eu era muito calma e pediu que eu tranquilizasse uma irmã que ficou muito nervosa. Ele até buscou um copo d'água para ela'', contou.
Os assaltantes levaram mais de R$ 2 mil que seriam usados para pagar a aposentadoria de irmãs claretianas do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraguai e Argentina. ''Este mês, o pagamento está perdido. Não temos outra cobertura'', lamentou. Também foram roubados R$ 600,00 do lar, que atende 190 crianças, R$ 325,00 doados para uma festa infantil, além de dinheiro e pertences das freiras. Antes de fugir, os assaltantes trancaram as quatro vítimas em uma sala, de onde só conseguiram sair à meia-noite.
A freira entrevistada pela Folha fez questão de frisar que irá votar contra o desarmamento no referendo do próximo dia 23. ''Não quero ter nenhuma arma, mas acho que as pessoas precisam ter o direito a essa proteção. Já temos uma sociedade medrosa demais'', sentenciou.

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